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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008
Episódio 55- "Quem se ama, sempre se encontra."

Três dias depois…

 
Frederico estava a descer as escadas da Mansão e viu Flor. Estava a limpar o pó a tudo e cantava ao mesmo tempo, com a alegria e boa disposição que já era habitual.
Flor: “- E no meio da espuma eu descobri, que tu existias e que te queria pra mim… Foi lindo, foi mágico… Foi assim, foi lindo, foi mágico o nosso primeiro encontro…
Flor viu Frederico e continuou a cantar, enquanto rodopiava à sua volta.
Flor: “- Eu nunca mais vou esquecer, eu nunca mais vou-te esquecer… Eu entreguei-te o meu coração…”
Antes de acabar de cantar, Flor beijou-o e disse que os dois tinham de conversar.
Fred: “- Diz. Mas o que é que se passa? Está tudo bem?”
Flor: “- Está. Não te…”
Entretanto, a porta abriu-se e Afonso surgiu com um saco na mão.
Afonso: “- Comida quentinha para todos! Andem almoçar…”
Fred: “- Tu foste comprar outra vez comida, Afonso?”

 

 

Afonso: “- Ai… Outra vez essa conversa de que comer comida de compra faz mal, Frederico? Esquece isso… É só enquanto a Helga e o Antoine não chegam. Ah e preparem-se, porque o concurso de dança vai ser amanhã à tarde.”
Flor: “- Bom, vamos almoçar? Eu conto-te tudo depois de almoço.”
 
Depois de terem saboreado os bifinhos de peru com arroz que Afonso trouxera, Flor e Frederico dirigiram-se novamente à sala e Flor preparava-se para contar o que queria, quando Martim entrou de rompante pela sala.
Martim: “- Está genial! Eu nem acredito!”
Trazia a revista Saberes na mão e Flor e Frederico depressa perceberam que Martim se estava a referir à crónica de Têérre.
Flor: “- Deixa-me ler!”
Flor tirou a revista das mãos de Martim e começou a ler.
Flor: “’The Family Behind The Mask’, por Têérre Pagelo.
 
Esta semana, o meu tema de reflexão irá deslocar-se dos exercícios de análise habituais. Por uma semana, troco a crítica ao quotidiano mundial pela descrição do quotidiano de uma família especial.
Tudo começou quando, na passada semana, recebi um telefonema de um dos irmãos mais novos do empresário Frederico Fritzenwalden. Após uma longa e interessante conversa com o jovem Martim, resolvi a pedido do mesmo, visitar a família no dia seguinte.
Desde sempre que sou uma seguidora da poderosa família e, como tal, tinha uma certa curiosidade em conhecer o dia-a-dia na Mansão dos Fritzenwalden, que têm sido algo badalados pela dita imprensa cor-de-rosa [que bem poderia mudar de cor com algumas barbaridades que são publicadas]. A mais recente confusão aconteceu na festa de aniversário do famoso vinho da família. Uma “notícia” que dava como certa a irresponsabilidade e a falta de integridade da jovem Flor, a “menina-mulher” que transpira talento por todos os poros e que irradia simpatia. Decerto que o dito incidente foi provocado por terceiros que não se conformam minimamente com o facto de existir alguém que prende e encanta todos pelos sítios por onde passa. ‘São notícias para ler na casa-de-banho’, como alguém [?!] disse em tempos. E, aproveito também para acrescentar que não vejo qual o problema de se dizer algo assim em televisão. As verdades devem ser ditas.
 
Entrei na Mansão e, apesar de alguns pequenos atritos, cedo me apercebi que a família respira saúde e felicidade, que não devia ser posta em causa por determinados meios de comunicação.
Flor e Frederico são um casal [sem aspas] engraçadíssimo. Os dois possuem personalidades explosivas, fazendo com que o amor salte à vista [de todos]. Não duvido do sucesso que ambos podem vir a alcançar. Sucesso terá também o menino sábio da família. Martim apresentou a sua obra - motivo pelo qual estive presente na Mansão naquele dia – de uma forma muito engraçada e original. E com o irmão mais velho e a cunhada a desempenharem os principais papéis, a história tem todos os ingredientes para dar certo.
Foi uma óptima experiência a que tive no ceio da prestigiada família. Comprovar com os meus próprios olhos algo que já desconfiava há muito é enternecedor. Desejo uma vida cheia de sucesso a todos e a cada membro dos Fritzenwalden.
 
Têérre.”
 
Martim: “- Está fantástica, não está?”
Flor: “- Farta-se de falar bem de nós!”
Martim: “- Eu não acredito! Agora vais ser muito mais…”
O toque do seu telemóvel interrompeu-o.
Martim: “- Estou?”
Flor e Frederico estranharam quando Martim abriu a boca de estupefacção após ter atendido o telemóvel. Quando se apercebeu que os dois olhavam para ele curiosos, Martim desencostou o telemóvel do ouvido e sussurrou: “A Têérre Pagelo ligou-me!”
Flor: “-É a Têérre?!”

 

 

Assim que soube com quem Martim estava a falar, Flor tirou-lhe o telemóvel das mãos e começou a falar.

Flor: “- Estou sim? Dona Têérre? Muito obrigada! Adorei a crónica! Está genial! Mas esta eu li mesmo, não estou a mentir!”
Martim: “- Flor, dá-me o telefone! Sim, Têérre? Peço imensa desculpa, mas já sabe como a Flor é impulsiva…”
Enquanto Martim falava, a campainha tocou.
Martim: “- Devem ser eles. Muito obrigado por tudo, Têérre.”
Flor abriu a porta e viu novamente os fotógrafos que, há três dias atrás, a tinham fotografado a ela e a Frederico quando estavam vestidos com aqueles fatos ridículos.
Martim: “- Boa tarde. Obrigado por terem vindo. Podem esperar só um minutinho, por favor?”
Fred: “- Martim, o que é que eles estão aqui a fazer outra vez?”
Martim: “- A Têérre disse que os tinha contactado para eles tirarem mais algumas fotos à Ri-Tornada e ao Dinguim, mas desta vez na cidade. Ela sugeriu que fosse feita esta sessão, porque é sempre bom ter imagens para promover o livro…”
Fred: “- E tu queres que eu ande por toda a cidade vestido com um fato de licra roxo… outra vez?”
Flor: “- Uau! Vai ser super hiper mega fantástico! Conta comigo, Martim!”
Martim: “- Vês, Fred? A Flor vai…”
Fred: “- Martim, não! Uma coisa é eu andar assim vestido no jardim de minha casa, outra totalmente diferente é andar por toda a cidade. Com que cara é que eu vou fechar negócios com pessoas que já me viram a andar pelas ruas mascarado de Capitão América?”

 

           

 

Martim: “- Não é o Capitão América! É o Dinguim!”

Flor: “- Tu não achas que estás a ser demasiado Delfininha-Magda, Frederico? É para o livro do teu irmão!”
“Hmm… Desculpem eu estar a meter-me, mas eu não vejo nenhum problema. A personagem principal é a Ri-Tornada, basta tirar algumas fotos dela. As que já tirámos ao Dinguim são suficientes.”, disse um dos fotógrafos.
Flor: “- Nesse caso, eu vou vestir o meu fato banana!”
Fred: “- Queres ajuda?... Eu vou contigo!”
Os dois subiram e Martim, curioso com a sessão de fotos, ia colocando algumas questões aos fotógrafos.
Martim: “- E por que locais iremos andar?”
Fotógrafo: “- Vamos andar sobretudo por superfícies comerciais, como supermercados, minimercados, mercearias… Basicamente, locais onde geralmente há problemas, porque queremos transmitir a ideia que a Ri-Tornada está sempre onde é preciso…”
Flor apareceu no cimo das escadas, já vestida de Ri-Tornada. Esticou os dois braços e encarnou a personagem: “Eu, Ri-Tornada Maria, comprometo-me a proteger e salvar a minha cidade, de todas as patifarias das bruxas malvadas Lombalgida e Aspirina! Porque o bem vence sempre o mal! E eu sou boa!”
Flor estava orgulhosa por ser a nova heroína da cidade.
Flor: “- Vens connosco, Frederico?”
Fred: “- Vou. Vestido à civil não me importo…”
 
Já na rua, Flor chamava a atenção de todos e até chegou a receber uma rosa amarela de um rapaz, deixando Frederico a rebentar de ciúmes.
Fred: “- Já não podemos ir para casa? Eu estou farto de ver homens babados a darem-te rosas…”
 
 
Flor: “- Tu estás com ciúmes por aquele rapazinho me ter dado uma rosa?”
Fred: “- Eu? Ciúmes? Claro que não, Flor… O que é que eu ia fazer com uma rosa?”
Flor: “- Que engraçadinho, Frederico! Porque é que tu és um galo enciumado?... Ai! Eu preciso de fazer compras! Vamos aqui!”
Fotógrafos: “- Nesse caso, nós esperamos aqui fora…”
Os três entraram na loja que estava praticamente deserta. Flor, Frederico, Martim e uma senhora velhinha, eram os únicos clientes.
Flor: “- Temos laranjas lá em casa?”, perguntou a Frederico.
Fred: “- Uma super-heroína tem de ter uma memória de elefante…”
Flor: “- Falando em elefante… Tenho de comprar febras de porco!”
“Que menina tão bonita.”, disse a senhora a Flor.
Flor: “- Obrigada. Eu não costumo andar assim vestida, isto é só uma brincadeirinha…”
Senhora: “- Fica-lhe bem, fica-lhe bem…”
Flor preparava-se para pagar as compras, quando a senhora da caixa ficou a olhar para ela com cara de parva.
Flor: “- É que os super-heróis também têm de comer. Eu sou a Ri-Tornada! Prazer!”, disse-lhe estendendo o braço.
“Prazer… Eu sou a Andreia.”, disse a senhora que continuava com cara de parva.
Fred: “- Desculpe, mas há por aqui alguma casa-de-banho?”
Andreia: “- É ali à esquerda…”
Fred: “- Eu volto já.”
Flor: “- Ah, é verdade… Por acaso não têm febras de porco? Eu estive a ver ali atrás, mas só havia lombo…”
Andreia: “-Pois… De momento, só temos lombo. Mas pode levá-lo e fica com febras à mesma… Basta cortar o lombo com…”
Flor (interrompendo-a): “- … com os meus super-poderes!”
Andreia: “- Por acaso eu ia dizer faca, mas se preferir os super-poderes…”, disse acentuando ainda mais a cara de parva.
Flor: “- É claro que prefiro os super-poderes! Tenho que pra…”
Antes de Flor acabar a frase, um homem entrou na loja e apontou uma arma a todos, que entraram em pânico.
Martim tentou lembrar-se se tinha pedido um actor extra para simular um assalto, mas depressa chegou à conclusão que a resposta era não.
Flor: “- Uau, Martim! Andas mesmo empenhado no livro… É para eu dar cabo dele, não é?”
Martim tentou avisar Flor: “- Não, Flor, não faças nada! Isto não foi nada pla…”
Ladrão (interrompendo-o): “- Calado e quieto! Você… Ponha o dinheiro no saco! Rápido!”, disse para a senhora da caixa.
Flor, que pensava que tudo não passava de teatro, resolveu aproximar-se do homem.
Flor: “-Oiça lá! Acha que o que está a fazer é bonito? Devemos lutar por aquilo que queremos! Não desistir à primeira e andar por aí a roubar!”

 

 

 

Ladrão: “- Tu detestas os teus miolos, não?”
Martim: “- Flor, pára!”
Flor: “- Tomara tu teres os miolos da Ri-Tornada!”
Ladrão: “- Cala a boca!”
Martim: “- Excelente ideia… Flor, porque é que não fazes o que o senhor… ladrão… te diz?”
Ladrão: “- Calem-se os dois imediatamente e deitem-se! Todos!”
Todos se deitaram no chão, à excepção de Flor.
Ladrão: “- Tu não ouviste o que eu te disse?”
Martim: “- Podemos fazer um negócio?”
Ladrão: “- Quieto e cala a boca de uma vez por todas!”
Os restantes clientes estavam deitados no chão e com os olhos fechados. Ninguém tinha coragem para abrir os olhos e ver o que se passava.
Flor: “- Wow… Espere aí… Tenha cuidado, amigo. Eu não sei como se chama, mas sei que é boa pessoa. Para o Martinzinho o ter contratado só pode… É melhor apertar os atacadores senão o senhor ainda cai e aleija-se a sério! E como isto é tudo a fingir e o senhor é actor… A segurança em primeiro lugar!... Porque é que está a olhar para mim com essa cara? Aperte lá os atacadores para recomeçarmos a representar!”
Entretanto, Frederico saiu da casa de banho e apercebeu-se de tudo o que se estava a passar.
Enquanto o ladrão olhava para baixo para verificar se realmente tinha o atacador desapertado, Frederico esmurrou-o, deixando-o inconsciente depois de lhe atirar a cabeça contra o balcão.
Flor: “- Tu estás doido, Frederico?! Mataste o homem! E ele que era tão bom actor…”
Fred: “- O quê? Flor, não há actor nenhum! Agora senta-te em cima dele, enquanto eu procuro alguma coisa para o atar…”

 

                             

 

Flor: “- O quê?! Ele é um ladrão mesmo a sério? E a arma deita balas e não daquelas bandeirinhas a dizer ‘Bang’?!”

Assim que se apercebeu que tudo era real, Flor obedeceu a Frederico.
Fred: “- Por favor, tem de haver aqui alguma corda ou algo do género…”
A senhora da caixa estava muda, não conseguia dizer nada com o susto que apanhou, assim como a velhinha e Martim estava em choque. Nenhum deles conseguia abrir os olhos para ver o que se passava.
Flor: “- Frederico, está aqui uma fita!”, disse-lhe apontando para uma grande tira junto à sua sapatilha. Frederico ajoelhou-se para a apanhar, juntou as mãos e olhou para cima como que a agradecer.
Nesse preciso momento, os fotógrafos, estranhando a demora dos três, espreitaram para dentro da loja e um deles capturou precisamente esse momento, antes de entrar no estabelecimento.
Quando se aperceberam que tudo estava bem, a senhora da loja, a velhinha simpática e Martim levantaram-se. Flor e Frederico amarraram o ladrão, enquanto os fotógrafos chamavam a polícia.
Alguns minutos depois, a Polícia chegou ao local e quando o assaltante estava prestes a ser colocado dentro do carro, Flor fez questão de se despedir do criminoso.
Flor: “- Embora estejas inconsciente, deixa-me que te diga uma coisa! Da próxima vez que te meteres em sarilhos, vê primeiro o boletim meteorológico, porque pode haver previsão de tornado!”
 
                      
 
Já na Mansão, Martim ia recuperando do choque, enquanto Flor e Frederico se sentavam no sofá, junto dos seus bebés.
Flor: “- Que aventura! Mas o meu príncipe roxo tratou de tudo num instante!”, disse abraçando-se a ele.
Fred: “- E que história foi aquela do senhor ser actor? Eu não percebi nada…”
Martim: “- A Flor pensava que tudo aquilo era encenado, que eu tinha contratado um actor para estar ali!”
Flor: “- Tem calma, Martim. Já passou…”
Fred: “- E aquilo que me querias contar de manhã?”
Flor: “- Eu vou só trocar de roupa… Já desço para falarmos.”
Martim: “- Eu também vou subir. Vou escrever um bocado, tenho de expulsar o stress acumulado.”
Depois de Flor estar pronta, desceu as escadas e sentou-se bem encostadinha a Frederico, enquanto este lhe fazia festas no cabelo.
Fred: “- E então? O que é que me querias dizer?”
Flor: “- Estás a gostar de ser pai?”
Fred: “- Que pergunta é essa, Flor? É claro que estou. É das melhores coisas do Mundo! Mas porque é que perguntas?”
Flor pegou na mão de Frederico e colocou-a sobre a sua barriga. Frederico sorriu e Flor, pensando que ele já tivesse percebido qual o assunto importante sobre o qual os dois tinham de falar, também sorriu.
Fred: “- Eu não acredito…”
Flor: “- Mas é verdade.”
Fred: “- Eu não acredito que vou… Outra vez!”
Flor: “- Mas vais! E eu também!”
Emocionada, Flor começou a chorar.
Fred: “- Mas são assim tão fortes para estares a chorar?”
Flor: “- Hã? Mas são assim tão fortes o quê, Frederico? Já não estou a perceber nada…”
Fred: “- As dores de barriga! Eu não acredito que o almoço te fez mal e não acredito que vou ter de avisar outra vez o Afonso para não comprar tantas vezes comida fora!”
Flor: “- Não é nada disso, Frederico. Eu estou bem.”
Fred: “- Estás bem? Então o que é que se passa?”
Flor: “- E se eu te dissesse que estou grávida?”
Frederico ficou completamente surpreendido. Não estava nada à espera de uma notícia assim e, como tal, ficou completamente atrapalhado e sem saber o que dizer.
Fred: “- O quê?... Grávida?... De quem?... Não, não! Desculpa! Não era isto que eu queria dizer!...”
Flor estava prestes a explodir, mas arrependeu-se quando viu que Frederico não tinha feito de propósito. Eram as emoções a falar.
Fred: “- Mas… Como?”
Flor ria-se que nem uma perdida, já lhe tinha dito três vezes que estava grávida e nunca Frederico reagira assim.
Flor: “- Queres mesmo que eu te conte? Então, preferes a história da sementinha ou a da cegonha?... Como é que terá sido, Frederico?”, disse ainda a rir-se.
Passados alguns segundos, Frederico “desceu à Terra” e também se começou a rir, a abraçar e a beijar Flor.
 
 
No dia seguinte, a grande novidade era tema de conversa enquanto todos tomavam o pequeno-almoço, pelo menos até Afonso entrar na cozinha. Estava a rir-se que nem um louco.
Afonso: “- Estes jornalistas são demais…”
Fred: “- O que é que se passa?”
Afonso: “- Segundo o que vocês me contaram ontem, foste tu que deixaste o ladrão inconsciente, não foste?”
Fred: “- Afonso… E fui.”
Flor: “- Pois foi! Eu vi tudinho com estes olhos que a terra há-de comer! O teu irmão deu-lhe um pêro e ele ficou logo inconsciente.”
Afonso: “- É… Mas quem ler o jornal não fica com essa ideia…”
Frederico pegou no jornal, abriu-o e viu a única fotografia que tinha sido tirada: Flor, de braços cruzados sentada em cima do assaltante e ele próprio, ajoelhado e com as mãos juntas a olhar para o céu.
Flor: “- O que é que diz?!”
Frederico leu o título para que todos pudessem ouvir: “Mulher mascarada prende criminoso enquanto marido reza!
Fred: “- Mas isto é ridículo! Eu não estava a rezar!”
 
 
Martim: “- Flor, ligaram da revista BD a perguntar se a Ri-Tornada e o Dinguim amanhã podiam ir almoçar ao restaurante que o director da revista abriu recentemente. O que é que dizem?”
Fred: “- Amanhã não vai dar…”
Flor: “- Porquê?”
Fred: “- Porque vamos almoçar com o Homem-Aranha…
Flor: “- Não gozes, Frederico! Isto é um assunto sério!”
Martim: “- Espera aí, amanhã ao almoço não posso eu… E jantar?”
Fred: “- Super-Homem…”
Martim: “- Depois de amanhã?”
Fred: “- Batman…”
Martim: “- Olha, Fred se achas que tem piada…”
Fred: “- Martim! Martim, espera. Por mim, tudo bem…”
Flor: "- Óptimo, então diz ao..."
Henrique (interrompendo-a): “- Flor, eu tenho aqui uma pessoa que quer falar contigo.”
Flor: “-Quem?”
Carlota surgiu na cozinha e como sempre, cumprimentou todos com a sua voz esganiçada.
Carlota: “- Olá!”
Flor e Carlota ainda não tinham falado desde o pequeno incidente no jardim que levou ao adiamento do concurso de dança.
Carlota: “- Olá, Flor… Eu queria pedir-te desculpa. Eu não devia ter dito as coisas que disse… Foi mesmo sem pensar…”
“Como tudo o que ela faz”, sussurrou Tomás a Afonso.
Flor: “- Olha, Carlota tu ofendeste-me mesmo muito… E ainda por cima atiraste-te a mim como uma loba!”
Carlota: “- Oh, Flor desculpa… Mas eu não gostei nada da ideia de não poder dançar com o meu Cherry… Desculpa. Amigas?”, disse estendo-lhe o braço.
Flor: “- Amigas…”
Carlota: “- Yes!”
Carlota abraçou Flor até não poder mais.
Carlota: “- E quanto ao facto de eu te estar sempre a dizer para deixares de usar essas saias e essas camisolinhas…”
Flor: “- Também me queres pedir desculpa…”
Carlota: “- Não! Quando é que finalmente as deixas de usar?”
Afonso: “- Bom, a conversa está muito interessante, mas eu gostava de vos lembrar que logo à tarde, vai haver um concurso de dança e convém os pares irem dançando as coreografias.
Flor: “- Tu vais dançar comigo, ouviste Frederico Fritzenrations? Já não tens a desculpa dos espinhos no rabo!”
Fred: “- Flor, eu não vou dançar.”
Flor: “- Porquê?”
Fred: “- Porque eu não sei dançar!”
Flor: “- Até parece que eu sei!”
Fred: “- O quê? Não brinques comigo…”
Afonso: “- Então, eu danço com a Daniela, a Flor dança com o Martim, a Carlota dança com o Henrique, o Tomás e a Rosinha são os júris e o Fred é o apresentador ok? Flor, a Sof. e a Zé sempre vêm, não vêm?”
Flor: “- Vêm! Eu já falei com elas, já está tudo tratado!”
 
Depois de tudo estar pronto para o espectáculo começar, Tomás e Rosa sentaram-se nos seus lugares e, no sofá ao lado, estavam sentados os concorrentes.
Sof.: “- Desculpem o atraso, mas só agora é que nos conseguimos despachar…”
Zé: “- Então, está tudo bem? Já estivemos ali a falar ali com a Flor…”
Fred: “- Está, obrigado. E com vocês? Trouxeram o que eu vos pedi?”

 

 

Zé acenou que sim, porque viu que Flor se estava a aproximar.

Flor: “- Frederico, é agora que tens de ir apresentar isto! Vai! ”
Frederico entrou em palco e deu início ao concurso.
Frederico: “-… e os primeiros concorrentes são Afonso e Daniela! Palmas!”
Os dois dançaram salsa e no final da actuação arrancaram várias palmas dos outros concorrentes.
Frederico: “- Rosa, o que é que achaste?”
Rosa: “- Acho que correu muito bem e estão os dois de parabéns.”
Fred: “- Tomás?”
Tomás: “- Bom, primeiro gostaria de falar do Afonso. Danzaste ben, pêro achô quê pôdiá ter sido un poquito más fluidô… Daniela, muito bem!”
Henrique e Carlota foram os seguintes, com uma performance desastrosa, mas mesmo assim conseguiram obter 13 pontos.
Tinha chegado a vez de Martim e Flor.
Fred: “- E agora é a vez da Flor e do Martim mostrarem o que valem!”
Os dois aproximaram-se de Frederico e quando se preparavam para dançar, Frederico deu o microfone a Martim e encostou-se a Flor.
Fred: “- Apresentas-nos?”
Martim: “- Claro…”
Flor sorriu para Frederico que lhe retribuiu o sorriso, assim que a música começou a tocar.
 
        
 
Flor: “- E agora? Tu não sabes a coreografia e com a surpresa toda eu também já não me lembro!”
Fred: “- Deixa-te ir…”
Os dois não estavam a dançar nada, mas estavam-se a divertir mais do que nunca e isso é que importava.
Frederico pegou em Flor ao colo e começou a andar às voltas com ela, coisa que não era definitivamente um passo de dança…
Com todas as voltas, Frederico ficou tonto e começou-se a desequilibrar.
Flor: “- Tem cuidado! Frederico! Ahhhhhh!”
Depois de algum tempo a andarem aos ziguezagues, os dois caíram na piscina.
Tomás: “- Bravo! A coreografia mais original que eu já vi em toda a minha vida!”
Rosa: “- É caso para dizer que foi uma coreografia bombástica…”
Sof.: “- Estão tão concentrados a olhar um para o outro que nem vêem a piscina!”
Zé: “- Merecem a pontuação máxima! Eles são demais…”
Os dois saíram da piscina todos encharcados e, para surpresa de todos, continuaram a “dançar”.
Todos se riam que nem uns perdidos, mas Sof. e Zé ultrapassavam todos.
Assim que os dois acabaram de dançar, foram para dentro de casa trocar de roupa, enquanto o júri escolhia a dupla vencedora.
Frederico despachara-se mais depressa do que Flor e já seco, voltou ao jardim para falar com Sof. e Zé.
Zé: “- Ora, aqui estão elas!”
Fred: “- Muito obrigado às duas. Obrigado.”
Zé: “- De nada! Vai ser feliz, meu menino…”
Fred: “- Desculpe?”
Sof.: “- O menino dela! Está infeliz por estar lá sozinho em casa, não é Zé?”
Zé: “- É…É… Coitadito… Vá, agora vai lá ter com ela e… nós estamos sempre aqui para o que for preciso.”
Sof.: “- Ah! E quanto à outra coisa, basta assobiar!”
Fred: “- Obrigado. Muito obrigado.”
Frederico afastou-se e entrou novamente na Mansão.
Sof.: “- Eu acho que vou chorar…”
Zé: “- São tão lindos. São mesmo demais.”
 
Já na Mansão, Flor preparava-se para ir para o jardim, quando Frederico a agarrou.
Flor: “- Então, Frederico? Temos de ir ver quem ganhou!”
Fred: “- Vem comigo.”
Com a ajuda de Sof. e de Zé, os dois conseguiram sair da Mansão sem que mais ninguém visse.
Flor: “- Mas para onde é que tu me estás a levar?”
Fred: “- Espera. Já vais ver…”
Após uma curta viagem, os dois chegaram à praia.
Flor: “- Cair na piscina abriu-te o apetite e agora queres ir para o mar, não é?”
Fred: “- Não.”
Flor: “- Não?”
Fred: “-Um dos teus sonhos era casar na praia, não era? Com direito a cavalo branco e tudo…”
Flor: “- Era…”
Frederico começou a sorrir.

 

 

Fred: “- Fecha os olhos.”

Flor obedeceu e, enquanto mantinha os olhos fechados, Frederico assobiou.
Fred: “- Espera aqui só um bocadinho e quando eu disser abre os olhos.”
Alguns segundos depois, Frederico deu-lhe ordem para abrir os olhos.
Fred: “- Já podes.”
Assim que Flor abriu os olhos, viu Frederico a segurar dois lindos cavalos brancos. Na sua mão, trazia duas chaves iguais à que os dois traziam no colar do casamento por amor.
Frederico ajoelhou-se:
Fred: “- Queres casar comigo? Outra vez?”
Flor não conseguia parar de rir de tão feliz que estava.
Flor: “-Quero!”
Cada um colocou a segunda chave no colar do outro e entrelaçaram as mãos um no outro como tanto costumavam fazer:
Fred: “- Aceitas casar comigo por… felicidade?”
Flor: “- Aceito.”
Frederico estendeu a mão a Flor para que ela subisse para o cavalo.
Fred: “- A donzela dá-me a honra?”
Os dois subiram para os cavalos e foi em cima deles que passearam à beira-mar, de mãos dadas.
 
Quando o sol se estava a pôr, os dois desceram dos cavalos e deitaram-se na areia, abraçados e a olhar para o mar:
Flor: “-Algum dia pensaste que ia ser assim?”
Fred: “-Assim o quê?”
Flor: “-Nós os dois…”
Fred: “- Queres que eu seja sincero?”
Flor: “-Quero.”
Fred: “-Não… Eu nunca deixei de acreditar que, um dia, íamos ser felizes. Mas também nunca acreditei que algum dia pudéssemos ser…”
Flor: “- Passou tão depressa… Parece que foi ontem que tudo começou…”
Fred: “- Pois foi… E vais ver que, daqui para a frente, vai ser sempre assim… Um dia destes, vamos ser avós e vamos ver os nossos netos a correr e a saltar de um lado no para outro no Infantário… E nós vamos ser assim muito velhinhos e vamos estar assim abraçadinhos como agora…”
Os dois começaram a imaginar esses momentos.
Flor: “- Vai ser tão ri-fixe! Mas, até lá ainda vão acontecer muitas coisas…”
Fred: “- Ai é? Como por exemplo?”
Flor: “- Então, ainda faltam os 17 bebés e ainda temos que educar os tchinkywinky´s…”
Fred: “- Eu nem quero imaginar como seria a minha vida se eu não tivesse voltado para Portugal…”
Flor: “- Nem eu… Obrigada por realizares todos os meus sonhos, Frederico. Eu amo-te.”
Fred: “- Eu também te amo. E quero que a princesa Flor me conced um desejo... Canta aquela música que eu gosto.”
Flor riu-se e concedeu o desejo a Frederico: “- Princesa serei se só tu fores o meu rei. Num cavalo a lado foi por ti que eu esperei. Eu vou estar aqui, a esperar sempre por ti. Tão amada e desejada nunca me senti…
Depois de a beijar, Frederico pediu mais um favor.
Fred: “- Jura que vais ficar comigo para o resto da vida…Floribella.”
Flor: “- Eu juro, amor. Para o resto da vida.”

 

 

 

E VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE!
 
 
FIM
 
Criar esta história teve um significado muito especial para mim. Espero não ter desiludido ninguém e que todos vocês tenham ficado com um final feliz dentro da vossa cabeça.
Queria agradecer a todos aqueles que sempre me apoiaram, quer em comentários, quer em e-mails e até mesmo telefonemas. Um grande obrigado à Isa Borges e à Angie por me terem disponibilizado muitas das fotos que utilizei.
Obrigado à Teresa Ferreira, cujas palavras sempre foram uma inspiração.
E um obrigado especial à Maria José Castanheira e à Sof. A história é para vocês.
Queria também agradecer a Chuck Lorre, produtor e guionista da série Dharma & Greg, que desde sempre foi uma das minhas fontes de inspiração.
E, por fim, agradeço ao elenco da primeira temporada da Floribella, especialmente à Luciana Abreu e ao Diogo Amaral, pessoas que admiro e que merecem tudo o que a vida tiver de bom para lhes oferecer.
 
OBRIGADA!

 



publicado por Inesita às 10:14
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2008
Episódio 54- Tornado na Mansão?

Flor e Frederico foram buscar os seus filhos à sala e trouxeram-nos para o jardim, onde os instalaram confortavelmente em berços colocados à sombra, onde também se encontrava o palco improvisado e sofá e mesa do júri.

Depois de tudo estar pronto, Afonso anunciou que era hora de iniciar o baile e os concorrentes, apresentador/a e júri iriam ser sorteados. Frederico foi automaticamente seleccionado como júri, pois não podia participar devido ao seu estado “almofada de alfinete”, como Flor fazia questão de definir. E era também graças a esse estado que se encontrava sentado em cima de uma bóia, fazendo com que todos soltassem uma gargalhada sempre que olhavam para ele.
Os nomes de Afonso, Daniela, Carlota, Martim, Flor, Tomás, Rosa e Henrique foram colocados dentro de um saco e o papel que Daniela iria tirar, definiria o segundo e último júri do concurso.
Daniela desembrulhou o papel e apressou-se a dizer o nome da pessoa que iria fazer companhia a Frederico no sofá.
Daniela: “- Tomás.”
Tomás: “- Boa! Estou suficientemente à Marco de Camillis?”
Flor: “- Vá, agora sou eu a tirar…”
 
 
Henrique: “- Então a seguir sou eu…”
Rosa: “- Não! Eu é que sou a seguir!”
Henrique: “- Eu sou a seguir!”
Afonso: “- Pronto, escusam de discutir como duas criancinhas… Flor, vais tirar três papéis e depois a Rosa tira outros três. Os seis nomes que saírem, serão os nomes dos concorrentes. E depois o Henrique tira o papel com o nome do apresentador ou da apresentadora, ok?”
Flor tirou o papel com o seu próprio nome, o de Rosa e o de Henrique.
Rosa terminou o sorteio anunciando que os restantes concorrentes seriam Martim, Daniela e Afonso, o que significava também que Carlota seria a apresentadora. Uma vez que o papel com o seu nome era o único que faltava tirar, já (quase) todos tinham chegado a essa conclusão.
Só para ter a confirmação, Henrique retirou o único papel que restava e, sem espanto para ninguém:
Henrique: “- Carlota.”
Carlota: “- Yes! É o amor! É o destino! Vê só, Cherry! Qual era a probabilidade de tu, TU tirares o papel que tinha logo o MEU nome?! Isto é um sinal!”
“É… É mais um sinal… Que ela é burra que nem uma porta!”, sussurrou Tomás a Rosa.
 
Os concorrentes iam discutindo uns com os outros, tentando decidir quem é que ia dançar com quem.
Afonso: “- Eu danço com a Daniela, o Martim com a Flor e o Henrique com a Rosa. Pronto, está decidido…”
Henrique: “- É… E eu vou andar a dançar de cócoras, não é Afonso? Fazia muito mais sentido eu dançar com a Flor e o Martim com a Rosa, não achas?”
Carlota: “- Ai, eu acho que não! Acho que fica perfeito como o Afonso disse! A Rosa é muito mais inofensiva do que a Flor!”
Flor abriu a boca de indignação.
Flor: “- O quê?! Mas quem é que tu pensas que eu sou?!”
 
 
Carlota: “- Uma atiradiça por natureza!!”
Flor abriu ainda mais a boca.
Flor: “- Eu?! Euzinha?! O Afonso é que é!”
Afonso: “- Eh! Espera aí… O que é que eu tenho a ver para o caso?”
Carlota: “- Se tu te esticas, eu tiro-te a saia! E não é a que tens vestida, mas sim aquela que eu te dei!”
Flor: “- Então, leva-a! Pode ser que fiques mais parecida com a Pocahontas!”
Carlota: “- Sua selvagem!! Eu sou mil vezes melhor que a outra selvagem!!”
Carlota começou a puxar os cabelos a Flor e, em segundos, o palco de dança transformou-se num campo de batalha. Frederico tentava segurar Flor, para que esta não cometesse nenhuma loucura. Afonso, Daniela, Henrique e Rosa tentavam afastar as duas, Tomás ia atingindo as pernas de Carlota com pequenas pedras, graças à sua fisga e Martim ia tirando apontamentos, tranquilo e sentado no sofá do júri.
Com toda a confusão, Frederico foi atirado para o chão e assim que tropeçaram no seu corpo, todos caíram em cima dele. Estava uma algazarra insuportável, que se tornou mais intensa com os berros de Frederico.
Frederico: “- Auuu! Cui-da-do! Parem!”
 
 
Flor: “- Calem-se todos! Ahhh! Calem-se!”
Henrique: “- O que é que disseste, Flooooooor?”, disse tentando libertar a perna que estava presa em alguém.
Flor: “- Eu disse… CALEM-SE!!”
Todos fizeram silêncio, assim que ouviram o berro de Flor.
Flor: “- Por favor… Tenham cuidado com o rabo do Frederico!”
Carlota: “- Eu não digo que ela é uma atiradiça por natureza? Ela é!!”
A algazarra recomeçou e continuou até ouvirem uma voz que não era familiar. Todos fizeram silêncio novamente e ficaram a olhar para cima, para a cara assustada e surpreendida da mulher que estava perante eles. “Boa tarde”, disse num baixo tom de voz.
Após alguns segundos de silêncio e de estupefacção, todos se desemaranharam uns dos outros e Flor cumprimentou a senhora.
Flor: “- Olá, eu sou a Flor. Posso ajudá-la nalguma coisa?”
A senhora esboçou um sorriso. Agora faltava saber se o tinha feito devido à simpatia de Flor para com ela ou se sorrira por Flor estar completamente despenteada e cheia de relva no cabelo…
Martim levantou a cabeça do seu bloco de notas e arregalou os olhos quando viu quem estava no jardim de sua casa. Levantou-se imediatamente e afastou Flor de ao pé da senhora.
Martim: “- Boa tarde. Eu nunca pensei que chegasse tão cedo. Peço imensa desculpa se a minha cunhada a incomodou. Decerto não fez por mal…”
Num sussurro, Frederico perguntou a Martim quem era a senhora, pergunta que o deixou verdadeiramente escandalizado.
Martim: “- Tu só podes estar a brincar comigo, Fred! Não sabes quem é?!”
Fred: “- Não…”
 “Nem eu… Quer dizer, eu conheço aquela cara de algum lado, mas não vejo de onde…”, disse Flor que também ouvia a conversa.
Martim: “- Eu não acredito que vocês não conhecem a Têérre Pagelo!”
Flor: “- Shi! Que cruz! Ainda falo eu da tua família, Frederico!”
 
 
Martim: “- A Têérre é descendente de brasileiros, por isso é que tem este nome… Ela é cronista da revista Saberes. Como é que é possível não a conhecerem? Ela é uma sábia dos dizeres e possui uma coerência fora do normal!”
Flor: “- Cronista? De uma revista de culinária??”
Martim: “- Eu disse Saberes, não disse Sabores…”
Fred: “- E porque é que ela está aqui?”
Martim: “- Para eu apresentar a minha obra, não? Eu pedi que ela estivesse presente.”
Fred: “- E porque é que fizeste isso?”
Martim: “- Qualquer escritor que se preze, tem um jornalista na apresentação de uma obra sua, Fred!”
Fred: “- Martim, nem sempre…”
Martim: “- Sim, mas eu quero ser um escritor exímio. Tentem impressioná-la, por favor! Finjam que já leram imensas crónicas escritas por ela! É importante para mim!”
Martim apresentou Têérre a todos e foi até ao seu quarto buscar o livro. Entretanto, Flor ia cumprindo o que Martim lhe pedira.
Flor: “- Já li imensas crónicas suas! São excelentes! Qual foi a sua preferida?”
Têérre: “- Muito obrigada, Flor. Sabe, todas as crónicas que publiquei até hoje são reflexo de uma procura constante de algo que penso existir mas que, porém, não se consegue confirmar. Todas elas espelham trabalho e dedicação e possuem acepções distintas. A sua pergunta é interessantíssima e de difícil resposta também, mas a crónica que mais destaco é, sem dúvida alguma, aquela que publiquei acerca do modo de vida dos culturistas.”
Flor: “- Eu lembro-me! Gostei muito… E o Frederico também, uma vez que ele próprio é culturista…”
Fred: “- Sou?”
Flor: “- Claro que és! Sabe, Têérre, ele é muito modesto…”
Têérre: “- O Frederico pratica culturismo?”
Flor: “- Claro que pratica! Ele tem uma cultura geral fantástica! A senhora pergunta-lhe como é que vivem os dinossauros do Pólo Norte e ele responde-lhe num ápice!”
Frederico estava com uma vontade enorme de se rir, mas conseguiu-se conter, esboçando apenas um sorriso enquanto tentava explicar tudo a Flor.
Fred: “- Flor, os dinossauros extinguiram-se há cerca de 65 milhões de anos atrás e o culturismo não é…”
 
                     
 
Flor (interrompendo-o): “- Está a ver? Diz logo a resposta! Isto não é ser-se culturista?”
Fred: “- Flor, o culturismo é uma prática que existe e que tem como objectivo desenvolver os músculos…”
Flor: “- Desenvolver os músculos?... Ah! Que parvoíce! Confundi culturismo com culturogeralismo, veja bem!”
Têérre: “- É tão engraçada, Flor!”, disse ao mesmo tempo que se ria.
Flor: “- Mas eu quero enganar quem? A senhora é boa pessoa e eu não vou fingir mais! E como sempre me ensinaram a ser autêntica, a ser eu própria… Eu nunca li nenhuma crónica sua! Pronto! Está dito!”
Têérre: “- Eu já me tinha apercebido…”
Flor: “- Já? Como?”
Têérre: “- Por vezes, somos traídos por nós próprios. Há gestos e olhares que denunciam aquilo que não queremos revelar através das palavras.”
Flor ainda pensava no que Têérre lhe havia dito, quando Martim interrompeu a conversa dos três. Na sua mão direita, trazia um livro com uma capa amarela e na mão esquerda, trazia vários fatos bizarros, ainda embrulhados no plástico transparente.
Martim: “- Eu peço a atenção de todos… É com muita pena que anuncio que teremos de adiar o concurso de dança devido a atitudes incomportáveis da parte de alguns concorrentes… Mas aproveito para vos apresentar o meu mais recente trabalho.”
Martim pousou os fatos em cima da mesa do júri e apressou-se a subir para cima do sofá, para mostrar a todos a capa do seu livro e explicar a história em que tinha andado a trabalhar há meses.
Martim: “- Achei por bem desenvolver uma das minhas paixões: escrever. E fi-lo de modo a homenagear a minha família. Família esta que já passou por algumas dificuldades e eu queria mesmo prestar uma pequena homenagem a todos os meus irmãos, à Flor e a todos aqueles que fazem parte das nossas vidas. E, por isso, lembrei-me de criar um conto de fadas heróico. Este livro é dedicado a todos vocês, mas principalmente a ti, Flor. Tu salvaste a nossa família.”
Emocionada, Flor abraçou Martim, mas perdeu toda a vontade assim que este lhe pediu um favor.
Flor: “- O quê?”
Martim: “- Vá lá, Flor! É para tornar a história mais real, percebes? Também vou pedir ao Fred... Fred!”
Flor: “- Tu queres que eu vista este fato? Agora?”
Martim acenou que sim com a cabeça e olhou-a com um ar triste.
Flor: “- Pronto, está bem… Eu visto. Mas aviso-te já que não sei se o Frederico vai alinhar!”
Fred: “- Chamaste, Martim? O teu discurso foi muito bonito.”
Martim: - Não foi um discurso… Foi uma pequena introdução à história que me preparo para apresentar… E sim, chamei-te. Preciso que me faças um favor…”
Martim contou tudo a Frederico, que não achou muita piada…
Fred: “- O quê?”
Martim: “- Oh, Fred anda lá! É só por um bocadinho…”
Fred: “- Martim, tu não queres mesmo que eu ande por aí pela rua vestido com um fato de licra roxo, pois não?”

 

 

Martim: “- Quero. Vá lá, Fred! Faz isso pelo teu irmão. É só um dia! E além disso vais andar com uma máscara, ninguém te vai reconhecer…”

Flor: “- Ele tem razão, Frederico. É só um dia… Vais ver que vai ser ri-fixe!”
Fred: “- Tudo bem, mas eu só vou andar com o fato cá por casa… Mas porque é que vamos ter de andar assim afinal?”
Martim: “- Isso é o que eu vos vou explicar agora…”
Martim foi mostrando algumas partes do livro a Flor e Frederico e depois de lhes contar a história, apressou-se a despachá-los:
Martim: “-Vão lá dentro vestir isto, rápido!”
Flor e Frederico entraram dentro da mansão e Martim continuou com a apresentação.
Martim: “- E é com muito orgulho que vos apresento: Ri-Tornada: O Temporal. Como já se devem ter apercebido, a personagem principal é a Ri-Tornada, uma jovem rapariga cujo verdadeiro nome é Desdémona Cunegundes. A sua mãe era uma fã incondicional de William Shakespeare e decidiu baptizar a filha com o nome de uma das personagens de Othello. Por ter um primeiro nome um pouco bizarro, todos os seus amigos a tratam por Cunegundes…”
Tomás: “- Sim, é que esse também não é nada bizarro…”
Martim: “- Bom, vamos prosseguir… Depois desta interrupção, é mesmo o melhor que temos a fazer… Desde cedo que Cunegundes se apercebe que tem super-poderes. Tem óptimos reflexos e consegue rodopiar a velocidades impressionantes, daí o nome Ri-Tornada. Basicamente, ela faz tudo o que um super-herói faz e vê-se obrigada a salvar o seu país das mãos das duas temíveis bruxas da cidade: Adalgisa e Agripina.
Benjamim Dirceu é o nome do par romântico da nossa protagonista. Mas Benjamim não possui qualquer super-poder e, por esse motivo, morre de ciúmes por a sua namorada ser a heroína do país. Ciumento, Benjamim resolve ajudar a sua amada e torna-se o fiel ajudante da Ri-Tornada: o Dinguim. A história remonta ao ano de 1910.”
Flor e Frederico já estavam vestidos e espreitavam pela janela da sala. Conseguiam ver Martim de costas, em cima do sofá a mostrar o livro a todos.
Fred: “- Eu não acredito que estou a fazer isto…”
 
 
Flor: “- Anda lá, Frederico! É só este bocadinho… Ai isto é mesmo ri-fixe! Sinto-me uma autêntica super-heroína!”
Fred: “- Quem são aqueles?”, disse apontando para os três homens que acabavam de entrar no jardim da Mansão. Traziam todos máquinas fotográficas. Assim que Martim viu que os homens tinham chegado, veio chamar Flor e Fred.
Martim: “- Andem! Eles já chegaram! É agora!”
Fred: “- Martim, quem são eles?”
Martim: “- São os jornalistas que eu pedi que viessem juntamente com a Têérre. Vão!”
Flor e Frederico entraram vestidos e assim que foram vistos vestidos daquela maneira, a risada foi geral. Flor tinha um fato amarelo justo e, na zona da barriga, tinha um tornado desenhado em tons de roxo e por cima as letras RT, também na mesma cor. A máscara, o cinto e a capa também eram roxos, assim como as botas. O fato de Frederico era basicamente igual, mas com as cores trocadas. O fato era todo roxo, mas as letras DG, o cinto, a capa, as botas e a máscara eram amarelos.
Os jornalistas não paravam de os fotografar e Flor resolveu dizer alguma coisa.
Flor: “-Olá a todos! Eu sou a Anémona Cunegundes, mais conhecida por Ri-Tornada e este é o meu fiel ajudante, o Pinguim! A minha missão é impedir que a minha cidade seja atormentada pelas maléficas bruxas, a Lombalgida e a Aspirina!”
Martim levou as mãos à cabeça e viu-se obrigado a intervir. Após todas explicações:
Martim: “- Alguém quer colocar alguma questão?”
“Eu!”, disse Tomás pondo o dedo no ar.
Martim: “- Sim?”
Tomás: “- Em 1910 já existia licra?”
Martim: “- Eu perguntei se alguém queria colocar alguma questão… Não perguntei se alguém queria colocar alguma questão parva… Mais questões?”
Têérre: “- A história é baseada em factos verídicos?”
Martim: “- Algumas personagens foram baseadas em pessoas da família e pessoas conhecidas da família.”
Terminada a “apresentação” da obra de Martim, Têérre e os restantes jornalistas despediram-se e prometeram um regresso, o que só poderia ser uma boa notícia.
Depois de despirem os fatos, Flor e Frederico reuniram-se com toda a família na sala.
Flor: “- Parabéns, Martim! A história está super hiper mega genial!”

 

 

Quase sem terem tempo para descansar, a campainha tocou novamente. Flor abriu e assim que viu quem era, ficou logo mal-disposta.

Ásquer: “- Pelo menos, podia disfarçar… Boa-tarde a quase todos.”, disse olhando de desdém para Flor.
Fred: “- Tia, saia imediatamente de minha casa. Carlo Visconde?”, disse estranhando a presença do Visconde na Mansão.
Ásquer: “- Eu vou-me já embora, Fre-de-ri-co. Só te vim informar que eu e o Carlo vamos casar…”
A família ficou em choque.
Ásquer: “- Enfim… Nós queremos que tu sejas o nosso padrinho. E queremos que a Flor… vigie o livro de convidados!”
Flor: “- O quê? Não me diga que já arranjou alguém para pendurar os casacos…”
Visconde: “- Se quiser, o lugar de noivo está à disposição…”
Ásquer: “- Cale-se, homem!”
Fred: “- Eu não aceito. Agora saiam de minha casa, por favor.”
Ásquer: “- Mas eu não estou a perceber tal insolência, Fre-de-ri-co!”
Fred: “- Acredite que a tia não vai querer que eu lhe explique. Saia!”
Ásquer: “- Vamos, Carlo. Estou a ver que o Fre-de-ri-co foi influenciado pelo verme… Vamos.”
Os dois aproximaram-se da porta e Flor limitou-se a olhar para eles.
Ásquer: “- Não me abre a porta?!”
Flor: “- Que eu me lembre, os vermes não têm mãos nem patas… Como é que quer que eu lhe abra a porta?”
Ásquer: “- Sua insolente…”
 
Continua…
 
Ps: O próximo episódio será o último. Vão preparando as pestanas!
 
Beijinhos

 



publicado por Inesita às 09:33
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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008
Episódio 53- O conflito... entre Heidi e Shrek!

Alguns minutos depois, Afonso chegou. Ao seu lado, estava Daniela muito encolhida e pela sua expressão, todos diriam que estava ligeiramente assustada.

Era baixinha, tinha o cabelo castanho clarinho e olhos esverdeados.
Flor aproximou-se e pôs Daniela à vontade, dando-lhe dois beijos na cara.
Afonso: “- É a Flor, a minha cunhada. Flor, a Daniela.”
Flor: “- Muito prazer! Não te preocupes, nós não somos de cerimónias! Sim, porque quem ouvir falar só no nome Fritzenrations pensa que nós temos quinhentos e setenta e três mil… novecentos… e vinte sete criados… carros… casas. Cheirinho a naftalina…Sê muito bem-vinda!”
Daniela: “- Obrigada.”
Frederico: “- Olá. Tudo bem?”
Afonso apresentou Daniela a toda a família e à medida que o tempo foi passando, a mais recente namorada de Afonso foi perdendo toda a timidez.
Depois da apresentação, todos se dirigiram ao jardim e sentaram-se na enorme mesa colocada ao pé da piscina.
Martim: “- Falta um copo…”
Fred: “- Eu vou lá dentro buscar.”
Depois de ter entrado em casa, Frederico sentiu uma dor aguda na nuca. Algo muito pequeno tinha sido atirado contra ele. Olhou para trás, mas não viu ninguém.
Ainda com a mão na cabeça, olhou pela janela e viu Rosa e Tomás sentados à mesa e concluiu que não podiam ter sido eles. Era impossível os dois terem actuado de forma tão rápida.
Sem dar importância, dirigiu-se à cozinha para ir buscar o copo e depois de o fazer, foi à biblioteca buscar o telemóvel. Foi aí que viu, em cima da secretária, um papel branco desenhado com uma enorme caveira pintada a preto.
Frederico agarrou no papel e no copo e, assim que saiu da biblioteca viu um rapaz, imóvel no centro da sala.
Fred: “- E quem és tu?”
“Não tens nada a vê com isso…”, disse o rapaz.
Pelo tom seco da resposta, Frederico começou a perceber o que se passava.
Fred: “- Desculpa, mas a partir do momento em que estás em minha casa, eu tenho a ver com isso… És o Gabriel, não és?”

 

 

“E tu? És o pavo que me oubou a namoada, não és?”, disse Gabriel.

As suspeitas de Frederico confirmaram-se e resolveu ir chamar Flor.
Fred: “- Espera aqui só um bocadinho.”
Assim que virou costas, Gabriel deu-lhe um pontapé na perna.
Frederico olhou para trás e lembrando-se da conversa que tivera com Flor, esboçou um sorriso antes de o chamar a atenção.
Fred: “- Isso não se faz…”
Virou a cara e finalmente, foi chamar Flor.
Fred: “- Flor, importas-te de chegar aqui, por favor?”
Flor: “- Com licença.”
Flor levantou-se e os dois afastaram-se.
Flor: “- O que é que se passa?!”
Fred: “- O… como é que eu hei-de explicar… O teu amigo…”
Flor (interrompendo-o): “- Gabriel! O que é que tu estás aqui a fazer?”
Gabriel: “- Eu vim dá-te um ecado da minha mamã, mas assim que o babudo me viu e soube quem eu éa disse paa eu me i embóa poque tu já não gostavas de mim poque eu não conseguia dizê os ées… E ele também me disse que eu paecia aquele boneco dos looney tunes a falá e disse que tu gostavas éa dele e não de mim. Mas eu quis tê a cetêza que isso éa vedade, po isso vim tê contigo.”
Fred: “- O quê? Flor, ele está a mentir! Eu não disse nem fiz nada disso!”
Gabriel abraçou Flor e fingiu começar a chorar.
Gabriel: “- Vês? Ele é mentiôso!”
Flor: “- Por favor, Frederico… Ele é uma criança! Como é que tu foste capaz de fazer uma coisa destas?!”
 

 

Fred: “- Mas eu não fiz nada! Aí o mini-Walmer é que está a mentir!”

Flor: “- Mini-Walmer, Frederico?!”
Fred: “- Foi ele que disse que falava como o boneco!”
Flor: “- Eu estou a ver é que estou a falar pró boneco…”
Gabriel: “- Ah e é vedade! Eu esqueci-me de dizê que ele me deu uma palmada. Doeu muito…”
Flor: “- O quê?!”
Fred: “-Ele é que me deu um pontapé!”
Gabriel: “- Como se alguém como eu conseguisse batê em alguém como ele…”
Flor: “- Anda, Gabriel. Vamos comer porque eu já estou cheia disto!”
Depois de pegar em Gabriel ao colo, Flor virou as costas a Frederico e afastou-se, enquanto Gabriel deitava a língua de fora e fazia caretas a Frederico que não podia fazer mais nada a não ser juntar-se a todos à mesa.
Durante o almoço, Flor evitava a todo o custo olhar para Frederico e todos, à excepção de Carlota e Daniela, se aperceberam que algo não estava bem.
Afonso tentava animar o almoço introduzindo diversos temas de conversa, desde música a cinema.
Afonso: “- A falar nisso, já foram ver o filme que estreou ontem? Ouvi dizer que é muito giro…”
Gabriel: “- Eu já vi e gostei, mas mesmo assim, pefio o Tázan!”
Fred: “- Ai o Tarzan é o teu filme preferido? Tem piada, sempre pensei que fosse o Mentiroso Compulsivo…”
 
        

 

Gabriel: “- E o teu deve sê o Exteminador Implacável!”

Flor: “- Não, Gabriel… Achas mesmo? Tenho a certeza absoluta que o filme preferido dele é o Shrek. Ele revê-se muito mais no papel de ogre que não toma banho…”
Fred: “- Isso é uma parvoíce, porque o Shrek toma banho. Mas de qualquer maneira, sempre é preferível ser o Shrek do que ser a Heidi, não é?”
Flor olhou para todos menos para Frederico e colocou uma questão no ar.
Flor: “- Alguém ouviu um zumbido de hipopótamo?”
Gabriel: “- Não! Foi um zumbido de ógue!”
Fred: “- Alguém te perguntou alguma coisa?”
Flor: “- Fica a saber que, pelo menos, a Heidi não é ciumenta como o Shrek!”
Fred: “- Porque o Shrek não trabalha num Infantário!”
Flor: “- Tens razão… O Shrek só gosta é de negócios, não é?”
Rosa: “- Eu posso ser o Gato das Botas?”
Tomás: “- Claro que não! Tu és o Burro, como é óbvio…”
Rosa: “- Parvo…”
Fred: “- E a Heidi? A única coisa que faz na vida é andar atrás do Pedro e das suas cabras… Nem sei porque é que ela abriu um Infantário…”
Flor: “- A Heidi abriu um Infantário a pensar nos filhos que teve com o Shrek!”
Carlota: “- Mas estreou um novo filme da Heidi nos cinemas, foi? É que eu não estou a perceber nada… E ela e o Shrek agora têm filhos, é?”
Tomás: “- É. E um deles é o Hulk, só pode!”
Fred: “-Pena é que a Heidi prefira acreditar no Walmer que no Shrek, não é?”
Flor: “- Ela acredita no Walmer porque viu a reacção do Shrek assim que lhe contou que o Walmer estava “apaixonado” por ela!”
Carlota: “- Ai que giro! Até os Looney Tunes participam! Tenho que ir ver esse filme! Quanto é que custa o bilhete?”
Afonso: “- Neste momento, é de borla…”
Carlota: “- Ai, amanhã vou lá!”
Tomás já não aguentava Carlota e aproveitou para lhe dizer algo que já queria dizer há bastante tempo, usando uma frase de um dos filmes que estavam a falar.
Tomás: “- Tajaqui tajalebar um chuto no rabo!”
Fred: “- Mas se a Heidi gostasse do Shrek, acreditava nele. Pelo menos foi assim que sempre me ensinaram…”
Flor: “- Eu não te admito que ponhas em causa o que a Heidi sente pelo Shrek!”
Carlota: “- Ai, mas eu não ia gostar nada de estar no lugar da Fiona. Tudo bem que ela é um ogre, mas… ser trocada pela Heidi? Quer dizer, ela anda sempre com a mesma roupa! Ainda por cima, ela anda sempre a correr lá pelas montanhas! Desculpem lá, mas aquela roupa deve ter um cheiro… Pelo menos a Fiona ainda se dá ao trabalho de trocar de vez em quando…”
Tomás: “- Já estou como a Flor. Daqui a nada, arranco-te os cabelos um por um para oferecer uma peruca ao Pascoal!”
Carlota: “- Ai, peruca não! Implantes capilares, no mínimo!”
Flor: “- E também podia ajudar se o Shrek fosse um bocadinho mais compreensivo…”

 

 

Rosa: “- Não sei porquê, mas algo me diz que nós já não estamos a falar das personagens…”

Afonso: “- Pois não, Rosinha. Aliás, eu acho que nós nunca chegámos a falar das verdadeiras personagens… Bom, saindo do pântano e das montanhas, quem me ajuda a tirar isto tudo?”
Todos se ofereceram à excepção de Tomás.
Flor: “- Eu levo isso…”
Afonso: “- Não. A rainha e o rei da casa hoje vão ficar sossegadinhos a preparem-se para o baile de logo à tarde.”
Flor: “-Que baile de logo à tarde?”
Afonso: “- Vamos pôr a aparelhagem aqui no jardim e vamos fazer um concurso de dança. Todos vão participar, não há discussões. E o senhor? Não vem ajudar?”, disse olhando para Tomás.
Tomás: “- Não, eu fico por aqui…”
Afonso: “- Não ficas não. ‘Bora.”
“Que seca…”, disse Tomás pondo-se a caminho para a cozinha com o seu prato nas mãos.
Afonso olhou para Gabriel e tentou fazer com que este parasse de olhar para Flor. Frederico não estava com uma cara nada simpática…
Afonso: “- Gabriel, podes vir ajudar-me um bocadinho, se faz favor?”
Gabriel: “- E deixar aqui estes dois sozinhos? Nem penses!”
Flor: “- Então? Isso não são maneiras de falar!”
Gabriel: “- Desculpa, Afonso.”
Flor: “-Acho bem…”
 
Frederico levantou-se e foi até à sala ter com os bebés, que estavam a dormir. Flor preparava-se para ir ter com ele, mas reparou que Gabriel a estava a seguir.
Flor: “- Eu vou só à sala. Já venho, está bem?”
Ao entrar, Flor viu Frederico a olhar pensativo para os berços.
Flor: “- Está tudo bem?”
Fred: “- Com eles está…”
Frederico afastou-se e abriu a porta, mas assim que ia para sair, voltou para trás e fechou a porta.
Fred: “- Flor… Tu lembras-te daquilo que um dia me disseste, sobre olhares para os meus olhos e veres a verdade?”
 
 
As memórias daquele momento vieram à cabeça de Flor.
Flor: “- Lembro…”
Fred: “- Ainda bem… Já começava a ter as minhas dúvidas.”
Frederico virou costas e saiu para o jardim, onde encontrou Gabriel.
Gabriel: “- Então, ela deu-te com os pés?”
Frederico baixou-se de modo a ficar cara a cara com Gabriel.
Gabriel: “- Afasta-te dela!”
Nisto, Gabriel pontapeou Frederico, fazendo com que este se desequilibrasse e se sentasse precisamente em cima de um cacto que uma vizinha oferecera aos Fritzenwalden.
Fred: “- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!”
Todos vieram cá fora ver o que tinha acontecido.
Flor: “- O que é que aconteceu?”
Frederico levantou-se e tinha o rabo cheio de espinhos de cacto.
Flor: “- Deixa-me ver isso, Frederico!”
Todos se desataram a rir depois de se aperceberem do que Flor tinha dito.
Flor: “- Pois… Aqui não dá muito jeito, não é?”
Rosa e Tomás não conseguiam parar de rir.
Tomás: “- O Fred parece um ouriço!”
Rosa: “- Frederico Ouriçalden!”
Flor: “- Vá, já chega. Acabou a brincadeira…”
Afonso: “- Está tudo bem, Fred?”
Fred: “- Sim… Tenho espinhos de cacto no rabo, a mulher da minha vida está chateada comigo por eu lhe dizer para acreditar em mim e não numa criança e tenho um miúdo a chatear-me a cabeça e a pontapear-me porque se convenceu que está apaixonado pela minha mulher e, como se não bastasse, os meus irmãos riem-se de mim na minha cara… Mas sim… Tirando isso, está tudo bem, Afonso!”
Carlota: “- Olha! A tua história é parecidíssima com a do filme que estávamos a falar há bocado! Que engraçado!”
Flor: “- Afonso, Henrique, levem todos para dentro, por favor.”
Henrique: “- Claro. Vamos…”
 
Flor, Frederico e Gabriel ficaram novamente sozinhos.
Flor: “- Deixa-me ajudar-te, Frederico!”
Fred: “- Deixa estar. Não é preciso. Afinal tens o teu amigo à espera, não é?”

 

 

Flor: “- Tudo bem. Se tu pensas assim..."

Fred: “- Ele empurrou-me.”
Gabriel: “- Não foi nada, Flô! Ele ia paa me batê com o sapato e eu, paa me defendê, empuei-o!”
Frederico limitou-se a encolher os ombros.
Flor: “- Porque é que fizeste isso, Gabriel?”
Gabriel: “- Mas… Foi ele! Ele ia batê-me! Com o sapato!”
Fred: “- Tanto lhe ia bater que ainda tenho o sapato calçado e apertado…”
Flor: “- Gabriel, anda cá. Eu tenho de te contar uma coisa. Frederico, vai para dentro que eu já te vou ajudar a tirar isso…”
Fred: “- Deixa estar. Eu quero ficar aqui a ver-te falar com ele…”
Flor revirou os olhos, não queria acreditar que Frederico preferisse ficar cheio de espinhos a deixá-la sozinha com Gabriel.
Flor agarrou na mão de Gabriel e levou-o até à sua árvore. Frederico, apesar de estar uns metros afastado, conseguia vê-los, ao mesmo tempo que ia tentando tirar os espinhos.
Tal como tinha acontecido minutos antes com Frederico, Flor baixou-se e olhou para Gabriel. Começou a falar com ele carinhosamente.
Flor: “- Gabriel, porque é que fizeste aquelas coisas ao Frederico? E não digas que não fizeste nada, porque a Flor sabe que foste tu…”
Gabriel: “- Sabes?”
Flor: “- Sei…”
Gabriel: “- Ele acha que tu gostas mais dele do que de mim…”
Flor esboçou um sorriso e percebeu que Gabriel andava mesmo iludido.
 

 

Flor: “- Eu gosto muito de ti, Gabriel. Mas vejo-te como um dos meus amiguinhos… Eu amo o Frederico e talvez tu agora não compreendas a diferença, mas um dia vais perceber…”

Gabriel: “- Mas eu vi-te a beijá a cata que eu te dei! Eu vi!”
Flor: “- Eu não sabia que a carta era tua. Pensava que era do Frederico…”
Gabriel: “- Mas o que é que ele tem que eu não tenho?”
Flor: “- Ainda é cedo para responder a essa pergunta. Mas, por enquanto, a resposta vai sendo idade...”
Gabriel: “- Isso significa que…”
Flor: “- Significa que tu ainda és pequenino e que estás a passar por uma fase por que todos nós passamos. Um dia vais perceber toda esta conversa… E promete-me, promete-me que se algum dia alguma coisa não correr como tu queres, tu não vais dar pontapés às pessoas, nem atirar-lhes coisas à cabeça, empurrá-las contra cactos ou qualquer outro tipo de partidas… Promete.”
Gabriel: “- Pometo. Mas, e se essas pessoas me fizéem mal?”
Flor: “- Não lhes faças mal. Ao fazeres mal às pessoas que te fazem mal, estás a ser igual a elas. E tens de mostrar que és superior a tudo isso, fazendo o bem…”
Gabriel: “- E agóa?”
Flor: “- Agora… O que é que se diz quando fazemos alguma coisa de mal a alguém e estamos arrenpendidos?”
Gabriel: “- Desculpa.”
Flor: “- Exactamente!”
Gabriel: “- Não… Desculpa, Flô. Eu bati no teu namoado…”
Flor: “- Eu tenho a certeza que já não lhe dói nada…”
Fred: “- Auuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!”
Os dois olharam ao longe para Frederico. Tinha voltado a cair em cima do cacto ao tentar tirar os espinhos de si próprio.
“Estás bem?”, gritou Flor.
Fred: “- É que eu nem vou responder a isso…”, respondeu também a gritar.
Flor e Gabriel continuaram a conversa.
Flor: “- E se lhe fosses pedir desculpa? Eu acho que ele ia ficar contente…”
Gabriel: “- Ok…”
Flor: “- Dá um abraço à Flor.”
Gabriel: “- Nem precisavas de pedir!”
Frederico olhou para os dois e viu que se estavam a abraçar. Percebeu que Flor tinha posto tudo no lugar, quando os dois se dirigiram a si.
Gabriel: “- Fedeíco?”
Fred: “- Sim?”
Gabriel: “- Eu queía-te pedi desculpa. Desculpa.”
Frederico olhou para Flor, que lhe lançou um olhar fulminante. Alguns segundos depois, Frederico deu uma resposta.
Fred: “- Desculpas aceites…”
Gabriel: “- Quando fô gande quéo sê como tu! Com a baba e tudo!”
Fred: “- Vês, Flor? Está a dizer que eu me babo…”, disse a brincar.
Gabriel: “- Por ela, babas!”
Flor: “- Oh oh oh oh… Cuidadinho com o que diz, senhor Gabriel… Ai a minha vida… Então caíste outra vez em cima do cacto, Frederico?”
Fred: “- É… Não suportei as saudades…”
“Gabriel!”. Ouviram uma voz ao pé da porta de entrada e viram uma senhora a correr em direcção a eles.
Flor: “- Boa tarde, dona Constança.”
Constança: “- Olá, Flor. Como está? Desculpe entrar assim, mas estava preocupada. O Gabriel nunca mais chegava e como nós moramos a cinco minutos daqui, comecei a ficar preocupada. Estava a demorar tanto tempo a voltar…”
Flor: “-Pois, ele disse que veio cá entregar um recado seu, mas ele não me chegou a dizer nada…”
Constança: “- Recado? Não, não tenho recado nenhum. O Gabriel é que me disse que vinha cá, porque se queria despedir de si…”
Flor: “- Despedir de mim?”
Constança: “- Sim. Nós vamos amanhã para o Porto. Recebi uma proposta de trabalho irrecusável…”
Flor: “- Porque é que não me disseste nada, Gabriel?”
Gabriel: “- Eu não queía e não quéo í paa o Pôto…”
Flor: “- Porquê? Vais ver que vais gostar! Foi lá que eu nasci, sabias? Vivi lá durante muitos anos…”
Gabriel: “- Boa, mãe! Vamos paa o Pôto!”
Gabriel agarrou-se às pernas de Frederico e olhou para cima para o conseguir ver.
Gabriel: “- Táta bem dela…”
Frederico riu-se e despenteou-lhe o cabelo, quando lhe passou a mão pela cabeça.
Constança e Gabriel despediram-se dos dois e afastaram-se em direcção ao carro.
Fred: “- Como é que descobriste que eu não lhe tinha feito nada?”
Flor: “- Não descobri… Apenas me apercebi que sempre soube que eras incapaz de fazer as coisas que ele estava a dizer…”
Frederico esboçou um sorriso maroto e preparava-se para beijar Flor, quando esta se afastou.
 
 
Flor: “- Pronto! Já está todo convencido… Alto lá, Príncipe da Suécia! Talvez eu me tenha enganado na palavra a utilizar. Sempre soube que era pouco provável tu fazeres as coisas que ele dizia… Incapaz não, porque eras menino para isso e muito mais! Mas… eu queria pedir-te desculpa por não ter acreditado logo em ti, mas eu vi a tua reacção quando te contei e… por momentos pensei que pudesses ter feito alguma coisa ao Gabriel… Desculpa.”
Fred: “- A Heidi está desculpada…”
Flor: “- Mesmo assim eu acho uma parvoíce teres tido ciúmes de um miudinho. A minha teoria é esta e sempre foi assim: estas coisas acontecem e não podemos ficar com ciúmes, mas sim perceber o lado das crianças…”
Fred: “- É… Então se calhar, o melhor é eu ir falar com a Rosinha…”
Flor: “- Com a Rosinha? Porquê?”
Fred: “- Eu não te contei? A Rosa disse-me noutro dia que estava apaixonada por mim…”
Flor: “- O QUÊ?! ROSA MARIA! Vem cá imediatamente!!”
Fred: “- Tem calma! Tem calma! Eu estou a brincar. A Rosa não me disse nada. Era só para ver até que ponto é que acreditavas na tua teoria… E, pelos vistos, as coisas não são bem como tu dizes, não é?”
Flor: “- Não… Isso era um assunto totalmente, completamente diferente…”
Fred: “- É… Em vez de ser contigo era comigo, não é?”
Flor: “- Olha e se tu fosses à…”
Fred (interrompendo-a): “- Flor…”
Flor: “- Flor o quê? Eu ia dizer ‘e se tu fosses à casa de banho tirar os espinhos do rabo?’”
Fred: “- Ainda bem, por momentos pensei que ias dizer outra coisa…”
Flor: “- E que tal falarmos de assuntos verdadeiramente interessantes? Temos que nos preparar para o concurso de logo!”
Fred: “- Não… É que tu não estás a pensar que eu vou dançar, pois não? Nem normalmente quanto mais com espinhos no rabo?”
Flor: “- Pelo menos, ganhávamos no fato mais criativo! E é claro que vais dançar, vamos dar um baile a todos, literalmente! E temos que começar a treinar e é já! Dá-me a tua mão…”
Fred: “- Espera… Podemos ir tirar isto primeiro?”
Flor: “- Podemos, mas tens que ter…”
Frederico não a deixou acabar a frase, dando-lhe um beijo.
Martim aproximou-se e vendo os dois aos beijos, fingiu tossir.
Martim: “- Lamento interromper o vosso romântico momento, mas eu gostava de vos dizer uma coisa…”
Fred: “- Diz.”
Martim: “- Logo à tarde, após o concurso de dança eu vou apresentar a minha obra!”
Flor: “- A tua obra? Que obra?”
Martim: “- A obra em que eu tenho trabalhado nos últimos meses… O livro que eu escrevi…”
Fred: “- Mas tu escreveste um livro?”
Martim: “- Sim. Mas não me espanta nada vocês não se terem apercebido… Ultimamente parece que andam no mundo da Lua…”
Flor: “- Desculpa, Martim. Mas tu também não nos disseste nada…”
Martim: “- Pois não. Nunca ouviste dizer que o segredo é a alma do negócio? De qualquer forma, só vos vim avisar que logo vou apresentar a todos as personagens que criei e vou precisar da vossa ajuda, mas logo tratamos disso…”
 
Continua…
 
Ps: Demorei a postar porque estive de férias e sem acesso à Internet... Mas irei postar duas vezes esta semana e os episódios serão maiores.
Gostava também de fazer outro aviso: quando publiquei o episódio anterior, recebi vários e-mails de um anónimo a pedir que eu lhe contasse tudo aquilo que, indirectamente, eu queria dizer com a história. Quase tudo o que aqui escrevo tem um segundo sentido e o que eu escrevo, apenas a mim me diz respeito. Como diz a música: "what happens in my head, stays in my head". Espero que compreendam.
 
Beijinhos!

 



publicado por Inesita às 10:46
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Quarta-feira, 30 de Julho de 2008
Episódio 52- Um dia cheio de emoções... fracas.

Depois de tratarem dos bebés, Flor e Fred saíram do quarto e já no corredor:

Fred: “- Não te vens deitar?”
Flor: “- Já vou. Vou só ao meu quarto falar com a minha árvore…”
Flor agarrou na mão de Frederico e olhou para ele.
Flor: “- Está tudo bem?”
 
 
Fred: “- Está. Eu sei que é um disparate eu ter ciúmes de uma criancinha, mas tenho. Não consigo evitar.”
Flor: “- Parece que estás chateado comigo…”
Fred: “- Não, Flor. Eu não estou chateado contigo… São ciúmes e eu não te vou mentir. Incomoda-me, mas eu sei que não há problema nenhum.”
Flor: “- Mas não fiques assim… É só um miudinho!”
Afonso saiu do quarto e interrompeu a conversa dos dois.
Afonso: “- Desculpem interromper, mas só vos quero dizer que amanhã vou convidar a Daniela para a festa.”
Flor: “- Ri-fixe! Finalmente vou conhecer a minha primeira cunhada!”
Fred: “- Mas que festa, Afonso?”
Flor: “- É verdade. Que festa, Afonso?!”
Afonso: “- Festa por nada de especial…É só mesmo uma festa para reunir a família toda. Mas o Henrique não vos disse nada?”
Fred: “- Não, não nos disse nada, Afonso. E se queres saber eu também não acho nada boa ideia fazer uma festa nesta altura.”
Afonso: “- Porquê? Qual é o mal?”
Fred: “- Afonso, há bebés nesta casa. E eu também não me lembro de vocês me terem pedido autorização para fazer essa festa.”
 
 
 
Afonso: “- Pois não. Esta casa também é nossa. Nós só te temos de pedir autorização para sair. Cá dentro fazemos o que queremos…”
Fred: “- Desculpa, Afonso mas as coisas não são assim!”
Flor: “- Tenham calma. Frederico, também não é por causa de uma festa que vai acontecer alguma coisa aos bebés, não é?”
Afonso: “- Fred, são só mesmo pessoas da família. Nós todos, a Carlota e a Daniela. Mais ninguém. Qual é o problema?”
Flor: “-Vá lá, Frederico! Não me digas que é agora no Verão que tu voltas a ser um Fritz congelado!”
Fred: “- Tudo bem. Mas eu não quero confusões, Afonso.”
Afonso: “- Não te preocupes. Tenho tudo controlado. Só preciso é que me faças um favor, Flor. Ligas à Carlota para saber se ela sempre traz o almoço? Ela disse-me que sim, mas como é a Carlota, o melhor é confirmar… Eu disse para ela passar pelo restaurante e comprar comida que eu depois amanhã pago-lhe.”
Flor: “- Mas porque é que preciso comprar comida?”
Afonso: “- Flor, a Helga e o Antoine amanhã não vão estar cá. Vão ver a mãe do Antoine a França…”
Flor: “- Mas porque é que eu sou sempre a última a saber de tudo nesta casa?”
Frederico olhou para Flor.
 
 
Flor: “- Penúltima, quero eu dizer…”
Fred: “- Helga!”
Os dois conversaram com Helga e Antoine e estava mesmo confirmado. Os dois iriam viajar até França para ver a mãe de Antoine, que estava doente.
 
Depois da conversa, Flor marcou o número de Carlota e enquanto esperava que esta atendesse, conseguia ouvir algo muito estranho: “Cherry, esta é só para ti: Já ouviste um lobo uivando no luar azul ou porque ri um Lince com desdém"
Flor não queria acreditar. A obsessão de Carlota por Henrique ia de mal a pior… outra vez. Resolveu encostar novamente o telefone ao ouvido e lá continuava a música.
E pintar com quantas cores o vento tem e pintar com quantas cores o vento... Estou?
Flor: “- Carlota?”
Carlota: “- Flor! E então? Já sabes como é que eu hei-de cantar bem?”
Flor: “- Não, Carlota… Eu estou a ligar para saber se amanhã sempre trazes o almoço?”
Carlota: “- Sim, não se preocupem! Eu levo almoço! Tenho que ir, estou no cabeleireiro. Bye! E não te esqueças! Amanhã quero ter voz de fada!”
Flor desligou e ficou a olhar para Fred.
Fred: “- Ela não traz almoço?”
Flor: “- Antes fosse… Ela quer que eu a ensine a ficar com voz de fada! E eu não faço ideia de como vou conseguir tal pureza…”
 

 

Fred: “- Proeza, Flor. É, vai ser difícil… Ela parecia um cavalo a relinchar…”
Flor: “- Frederico! Coitadita… Ela não teve culpa de ter nascido sem capacidades vocais, não é?”
 
No dia seguinte, depois de montarem a mesa e a esplanada no jardim, todos se foram arranjando para a festa. Afonso estava nervoso, pois ia apresentar, pela primeira vez, a namorada à família. Martim olhava para o ambiente familiar e para o que se passava e registava tudo num pequeno bloco de notas. Flor e Frederico estavam sentados no sofá e a fazer o mesmo de sempre: a babarem-se a olhar para os filhos, ao mesmo tempo que brincavam com eles.
Henrique tentava acalmar Afonso, mas sem sucesso. Nada que ele dissesse o conseguia tranquilizar.
Tomás e Rosa estavam também sentados no sofá a ver televisão, quando mudaram de canal e viram Máximo.
Tomás: “- Olha ali! É o Conde!”
“ Diga-nos, Máximo. Como foi fazer um dueto com o maravilhoso cantor que está sentado a seu lado, Tim Argolas?”
Flor: “- Tim Argolas? Mas quem é esse?”
“Foi extraordinário. É sempre bom quando encontramos alguém que cante o mesmo estilo de música que nós.”
Rosa: “- Calem-se todos! Deixem ouvir!”
“Bom, e tal como aconteceu com o êxito do nosso Máximo Caminho Estreito, o nosso programa orgulha-se de apresentar em primeira mão: “Eu sou um totó”, por Máximo Caminho Estreito e Tim Argolas!”
Todos os que estavam ocupados pararam para ver o Conde e o seu recente amigo.Até Martim levantou a cabeça do seu bloco de notas e ficou a olhar para o ecrã da televisão.
Máximo continuava com o visual que apresentara na sua última canção, mas Tim Argolas apresentava-se de uma maneira bastante diferente, pois trazia todos os botões da camisa apertados.
De repente, começou a música a tocar e os dois começaram a cantar.
 
“Tu partiste, deixaste-me só
E tens razão, porque eu não passo de um totó.
Ainda bem que do outro foste atrás
Sei perfeitamente que ele é melhor rapaz
 
Enganei-me porque aqui o burro sou eu
E ao escrever esta canção
Vi que o Scolari não tem razão.”
 
A música parou e Tim começou a falar para Máximo.
 
Tim: ‘Eu é qui sou burro? Eu é qui sou ruim?’
Máximo: “Pois é, mas não sou eu que gosto de pudim, não é assim Tim?”
 
Os dois riam-se que nem uns perdidos como se aquilo que tinham acabado de dizer tivesse alguma piada. Aquele verso não fazia parte da música… Ninguém imaginava o que raio tinha sido aquilo, até que os dois se lembraram de voltar a cantar.
 
“E como é possível eu não me aperceber
Que não estás nem sozinha nem a sofrer?
 
Se os neurónios
Fossem inversamente proporcionais ao cabelo
Eu não teria dito o que disse
Porque, no fundo, o que eu tenho é dor de cotovelo
 
Agora estou triste, porque ninguém me quer
E é por isso que te digo que quero que sejas minha mulher
Maaaaaaaaaaaass uuuuumm diiiiiiiiiiiiaaaaaa
Ainda hás-de ser minha ou eu não me chamo João
O problema é que ninguém gosta de burros com alcunha de pão
Pão daquele retorcido em forma de argola e que é extraordináriooooo
E digo isto… Porque fui… Ver o significado de roscas… ao dicionárioooo!
 
Mas um dia vou-me arrepender ou não me chamo João
E é por isso que aqui fica uma versão mais bonita desta triste cançãooooo!”
 
Os bebés choravam a bom chorar e aos restantes familiares também não faltava vontade de deixar escapar algumas lágrimas.
Martim: “- Foi deprimente, porém uma excelente lição de vida que convém anotar.”
Afonso: “- Lição de vida? Ainda bem que são só dois, senão eu perdia a vontade de viver…”
Flor: “- Ai, Afonso! Vira-me essa boca para lá! Estás parvo?”
Afonso: “- Estava a brincar, Flor…”
Felizmente, tocaram à campainha fazendo com que todos recuperassem daquele gigantesco atentado ao bom gosto que acabavam de ver na televisão.
Carlota: “- Olá!!”
Afonso: “- Então, sempre trouxeste o almoço?”
Carlota: “- Claro que sim! Está aqui dentro!”
Carlota apontou o dedo para o mini-saco que trazia na mão e todos estranharam o facto de o almoço para nove pessoas caber ali dentro.
Flor: “- Tu tens a certeza que trouxeste o almoço?”
Carlota: “- Tão queridos! Preocupados comigo!”
Afonso: “- E o que é que trouxeste?”
Carlota: “- A minha comida preferida, como é óbvio!”
Flor: “- E qual é a tua comida preferida?”
Carlota: “- Bife de fígado com brócolos!!”
Flor: “- Baah… A sério?! Mas Carlota… Ninguém gosta disso!”
Carlota: “- Então mas quem é que vai comer? Eu ou vocês?”
Afonso: “- Não, espera aí… Carlota, tu por acaso não trouxeste comida só para ti, pois não?”

Flor: “- O quê?!”

 

 

Carlota: “- Claro que trouxe! Não me pediram para trazer almoço? Pensei que era o MEU, mine, almoço! E trouxe! E, a propósito, estás a dever-me nove euros e sessenta e cinco cêntimos!”

Afonso: “- Hã? De quê?”
Carlota: “- Não disseste que depois me pagavas?”
Afonso: “- Carlota, eu só te pagava se tu tivesses trazido comida para todos! Mas tu não percebes português?”
Fred: “- Tenham calma. O Antoine e a Helga não estão cá, mas nós temos comida na dispensa.”
Afonso: “- Claro! E eu disse à Daniela que ia preparar um almoço divino para ela. E o que é que eu lhe digo quando ela chegar? ‘Olha, amor, o nosso almoço vai ser fantástico. Preparei especialmente para ti… salsichas enlatadas com batatas fritas de pacote!’”
Tomás: “- Bem bom!”
Flor: “- Então, mas porque é que não vamos comprar comida a algum restaurante?”
Henrique: “- Óptimo. Mas só com uma condição: a Carlota fica em casa!”
Carlota: “- Oh, Cherry! Cada vez mais romântico! Tu queres que eu fique para termos tempo para nós, não é?”
Henrique: “- Pois… Eu não disse aquilo a pensar nisso…”
Fred: “- Eu vou comprar comida para todos.”
Afonso: “-Não, deixa. Eu vou. Tenho de ir buscar a Daniela e assim aproveito e passo por lá.”
Fred: “- Então, eu vou encomendando a comida para quando chegares lá já estar tudo pronto.”
Afonso saiu e mal fechou a porta, tocaram à campainha.
Flor: “- Pronto, estar apaixonado dá nisto…. De que é que te esqueceste, Afonso?”
Flor abriu a porta, mas a única coisa que viu foi uma rosa vermelha no chão com um papel branco ao lado. Flor apanhou a rosa e começou a ler o papel:
“Para a minha Flor. Beijos”
Flor começou-se a rir, beijou o envelope e levantou a cara à procura de Frederico, mas não o encontrou. “Onde está o Fritz?”, perguntou com um sorriso de orelha a orelha.
 
 
Martim: “- Está na biblioteca a ligar para o restaurante.”
Flor abriu a porta da biblioteca e ficou à espera que Frederico terminasse o telefonema.
Fred: “- E a salada com pouco vinagre, por favor. Obrigada.”
Frederico desligou a chamada e viu Flor a olhar para ele com um ar embevecido.
Fred: “- Está tudo bem?”
Flor aproximou-se de Frederico e beijou-o apaixonadamente.

 

 

 Flor: “- É linda.”

Fred: “- É linda? O quê? A salada?”
Flor: “- Não. A rosa.”
Frederico não estava a perceber, mas continuou.
Fred: “- Pois é. Mas quando lhe disseres isso, não te esqueças de dizer ao Tomás que ele também é. Já sabes como ele é ciumento…”
Flor: “- Eu não estou a falar da Rosinha… Estou a falar desta rosa.”
E tirou a rosa e o bilhete detrás das costas. Frederico olhou para a rosa e leu o papel.
Flor: “- Eu amo-te, meu Fritz ardente!”
Fred: “- Eu também te amo, Flor mas… não fui eu que preparei isto.”
Flor: “- Não foste tu? Então quem foi?!”
Fred: “- O teu mini-admirador…”
Flor: “- Achas?”
Frederico afastou-se e sentou-se na cadeira.
Fred: “- Acho…”
Flor: “- Mas… ele não chegava a este ponto…”
Fred: “- Flor, é uma criança. Não tem limites.”
Flor: “- É tão fofinho…”
Fred: “- Desculpa?”

 

 

Flor: “- Desculpa o quê, Frederico? Não posso dizer que o miúdo é fofinho por me enviar rosas?!”

Fred: “- Pron-to, pron-to! Não vamos começar outra vez, pois não?”
Flor: “- Não.”
Fred: “- Eu amo-te e estou orgulhoso de ti. Para até uma criança se apaixonar por ti, é porque tu és linda, querida, doce…”
Flor encolhia-se toda, ao mesmo tempo que esboçava um sorriso enorme.
Fred: “- Sabes do que é que eu me lembrei?”
Flor: “- Hum?”
Fred: “- Amanhã eu vou contigo para o infantário, ajudo-te e aproveitamos para falar com o Gabriel. O que é que achas?”
Flor: “- Não, isso não… Podes ir comigo para o infantário, mas eu acho melhor deixares-me ser eu a falar com ele…”
Fred: “- Tudo bem. Eu confio na minha Florzinha…”

 

 

Continua...

 

Ps: um obrigado à Isa por me ter cedido, há uns meses atrás, muitas das fotos que costumo publicar. Obrigada!

 

Beijinhos!



publicado por Inesita às 09:14
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Terça-feira, 22 de Julho de 2008
Episódio 51- Simpatias duvidosas...

“Isto não é justo, Frederico!”, disse Flor. Apesar de já terem duas semanas desde o pequeno incidente na festa de comemoração do vinho Fritzenwalden, Flor ainda não se tinha esquecido daquilo que a imprensa dissera dela. Bastava olhar para uma revista ou jornal para lhe vir à memória o triste acontecimento.

Fred: “- Flor, tem calma.”
Flor: “- Tenho calma, Frederico? Tu não sabes com que cara é que os pais das crianças olharam para mim depois de lerem aquela notícia… A sorte é que a Zé e a Sof. lhes explicaram tudo. Mas mesmo assim, é óbvio que ficaram desconfiados…”
Fred: “- Flor, a verdade acaba sempre por ser descoberta. A única coisa que tu tens de fazer é provar que és melhor do que eles e nem sequer te importares com o que dizem de ti. Quem te conhece, sabe quem tu és realmente e isso é que importa.”
A campainha interrompeu o discurso de Frederico. “Eu abro”, disse Flor.
Flor: “- Olá, Carlota. O Henrique não está…”
Carlota: “- Hi! Eu sei que não está, eu queria mesmo era falar contigo! Olá, cunhadinho! Tudo bem?”
Carlota entregou um embrulho verde a Flor, que rapidamente o começou a desembrulhar.
Carlota: “- Estava a passar pela loja, vi-a na montra e disse logo: ‘É a cara da minha amiga Flor!’ e resolvi comprar!”
Flor olhava para a saia rodada com um padrão floreado que Carlota lhe havia oferecido.
Flor: “- É linda, Carlota! Obrigada! Mas não era preciso…”
Carlota: “- Ah, esquece isso, Flor! Comprei porque gosto muito de ti!”
Flor: “- O que é que eu te hei-de dizer, Carlota?”
Fred: “- Experimenta perguntar ‘o que é que desejas?’”, sussurrou-lhe Frederico.
Flor: “- Frederico!”
Carlota: “- Bom, Flor… Eu queria-te pedir um favor…”
Fred: “-Eu não te disse?”
Flor deu um encontrão a Frederico com o cotovelo, ao mesmo tempo que sorria para Carlota.
Flor: “-Diz…”
Carlota: “- Eu quero que tu me ensines a cantar!”
Flor: “-Hã? Estás a brincar, não estás?”

 

 

Carlota: “- Vá lá, Flor! Por favor!”

Flor: “-Carlota, eu não sou professora de canto, não é?”
Carlota: “-Oh, vá lá! Mas tu cantas tão bem!”
Flor: “- Mas eu não sei ensinar os outros a cantar… Eu canto porque olha… sai-me!”
Carlota: “- Então, faz com que me saia a mim! Olha aí, eu já andei a treinar um bocadinho! Vê lá se está bem!”
Carlota pegou no telefone que estava no repouso e fingindo que este era um microfone, começou a cantar:
 
“Tu pensas que esta terra te pertenceeeeeeeeeeeeeeeee
Que o Mundo é um ser morto mas vais veeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeer
Que cada pedra, planta ou criaturaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Está vivaaa e tem almaaaa
É um seeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeer!”
 
Flor e Frederico franziam as sobrancelhas e olhavam um para o outro. Desejavam que Carlota se calasse naquele instante, pois não queriam que ela os visse com as mãos nos ouvidos…
Carlota: “- E então? Foi bom, não foi?”
Flor: “-Pois… Vais ter de trabalhar um bocadinho…”
Carlota: “- Mas vais ajudar-me, não vais?!”
Flor: “- Carlota, eu já te disse que eu não faço a mínima ideia de como te hei-de ajudar… Eu gostava, a sério que gostava… Mas eu não tenho propriamente uma varinha mágica que te conceda uma boa voz…”
Carlota: “- Então e os duendes?!”
Flor: “- Os duendes? Que duendes?”
Carlota: “- Aqueles que falam contigo!!”
Flor: “- São FADINHAS! Não são duendes!”

 

 

Carlota: “- Ou isso! É tudo a mesma gente… Não me podem ajudar?!”

Flor: “- É tudo a mesma gente?! Olha, tu vê lá como é que tratas as minhas fadinhas, percebes?!”
Fred: “- Bom, Carlota… Eu acho melhor tu ires andando, nós temos coisas muito importantes para resolver. Mas porque é que não ligas à Maria? De certeza que ela te pode ajudar.”
Frederico empurrou Carlota para a porta.
Carlota: “- Flor, se te lembrares de alguma coisa, avisa! Bye!”
Flor: “- Não te preocupes. Obrigada!”
Frederico fechou a porta e começou-se a rir.
 “Coitadita… Ainda cantava pior do que tu…”, disse Flor para provocar Frederico.
Fred: “-Ai ainda cantava pior do que eu? “
Frederico agarrou Flor, ao mesmo tempo que sorria.
Fred: “- Sabes uma coisa?”

 

 

 Flor: “- Hmm?”

Fred: “- Eu acho que estão quatro senhores à nossa espera lá em cima…”
Flor: “- Que senhores, Frederico? Não me disseste que tínhamos visitas!”
Fred: “- Pois não… Mas de qualquer das formas, eles precisam de nós…”
Flor: “- Precisam de nós? Para quê?!”
Fred: “- Porque eles têm problemas de incontinência e…”
Flor: “- Tu não me fales em incontinência! Já sabes o que é que me vem à cabeça quando dizes essa palavra! Mas as nossas visitas têm problemas de incontinência?!”
Fred: “- Têm… E estão à espera que nós lhes troquemos as fraldas…”
Flor apercebeu-se que Frederico estava a falar dos bebés, mas resolveu continuar a brincadeira.
Flor: “- A sério? Olha, sabes do que é que eu me lembrei? O pai das nossas visitas podia… Sei lá…”
Fred: “- Eu falo com ele para ver o que ele acha da ideia…”
Flor: “- Que ideia? Eu ainda nem te disse que ideia era…”
Fred: “- Mas eu acredito que ele se consiga safar…”
Nisto, Frederico pegou no seu telemóvel, encostou-o ao ouvido e fingiu estar a falar com o suposto pai das visitas.
Fred: “- Sim? Senhor Microwalden? Como está? É só para dizer que o senhor tem uma mulher linda. A Planta é realmente muito bonita… Eu não sei se ela me está a ouvir ou não, mas…”
Flor ria-se que nem uma perdida quando Frederico fingiu desligar a chamada.
Fred: “- Pronto, já estive a falar com ele e ele simplesmente adorou a ideia…”
Flor: “- Que ideia, senhor Micronrations? Olha, vê lá o que fazes ou arrependes--te! Ou eu não me chamo Planta!”
Fred: “- Foi uma ideia…”
Frederico pegou em Flor e colocou-a nas suas costas para andar às cavalitas.
Flor: “-Ah!”
Fred: “… engraçada. Vá , só ando quando começares a cantar…”
Flor: “- Um, dois, três batalhões, quatro batatas e cinco feijões! Andor! Andor! Andor!”
Frederico começou a subir as escadas para os dois irem trocar as fraldas aos bebés.
Quando estavam já mesmo no fim, Flor olhou Frederico e preparou-se para lhe dizer algo, mas mudou de ideias quando Frederico também olhou para ela.
Fred: “- O que é que foi?”
Flor: “- Nada…”
Fred: “- Muito bem... Take 2. O que é que foi?”
Flor: “- Mas tu hoje estás muito bem-disposto…”
Fred: “- O que é que se passa?”
Flor: “- Eu não sei se te devia contar isto ou não… Mas vou aproveitar para contar hoje, já que estás tão bem humorado…”
Fred: “- O que é que aconteceu?”
Flor: “- Promete que não vais ficar chateado…”
Fred: “- O que é que aconteceu? Começo a ficar preocupado.”
Flor: “- Promete, Frederico.”
Fred: “- Eu prometo.”
Flor: “- Hoje uma pessoa… declarou-se a mim…”
Fred: “- O quê?! Quem?”
Flor: “- Tem calma. Não é nada demais… Nada que não se resolva…”
Fred: “- Quem é que se declarou a ti, Flor?”

 

 

 Flor: “- Foi o Gabriel…”

Fred (interrompendo-a): “- Eu não acredito! O… O merceeiro?!”
Flor: “- Tem calma… Não me deixaste acabar! Foi o Gabriel, mas não é o Gabriel que tu pensas…”
Fred: “- Ah ainda há outro?”
Flor: “- Deixa-me falar! Que mania! Este Gabriel é um miúdo que anda lá no infantário e ele hoje veio ter comigo e… disse que me amava… Até me deu uma rosa e tudo…”
Fred: “- E que idade é que ele tem?”
Flor: “- Tem 25 anos…”
Fred: “- O quê?!”
Flor: “- Vês, Frederico? Ficas tão nervoso que nem consegues pensar! É óbvio que ele não tem 25 anos… É só uma criança…”
Fred: “- Desculpa. Eu deixo-me levar pelas emoções… E o que é que pensas fazer?”
Flor: “- Não sei, ele deu-me a rosa e depois fugiu… Não me queria ver, estava com vergonha…”
Fred: “- Tens a certeza que não é nada demais? Eu não gosto nada disso…”
Flor: “- Frederico, tu estás com ciúmes de um miúdo de 5 anos?”
Fred: “- Estou... Porquê? Não posso?”
Flor: “- Eu não acredito que tu estás com ciúmes de uma criança!"

 

Continua...

 

Beijinhos!



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Terça-feira, 8 de Julho de 2008
Episódio 50- Um "rodízio" que acabou mal...

Os dois meses que se seguiram passaram a correr. Cada vez era mais complicado manter a mansão Fritzenwalden controlada. A cada dia que passava, Tomás e Rosa arranjavam partidas cada vez mais criativas.

Martim encontrava-se agora na chamada "idade do armário" e tanto andava felicíssimo como deprimido.

Afonso raramente estava em casa. Desde que arranjara namorada que nada mais no Mundo parecia existir para ele...

Henrique ia tentando convencer Carlota que a grande paixão da sua vida era ela e não a Pocahontas.

E Flor e Frederico estavam sempre junto dos seus filhos. Não era nada fácil cuidar de quatro bebés irrequietos, tanto que os dois já quase desconheciam o significado de uma noite bem dormida.

 

 

Alguns dias depois, enquanto todos tomavam o pequeno-almoço, Flor falava com Sof. e Zé ao telefone para planear o calendário de actividades do infantário para o próximo mês.

Flor: "- Mas qual é o problema de organizar uns jogos de futebol?!"

Zé: "- Os miúdos que estão inscritos ainda são pequenititos..."

Entretanto, alguém tocou à campainha e depois de ter aberto a porta, Helga regressou com uma carta na mão e entregou-a a Frederico.

Flor: "- O que é?"

Fred: "- O convite para a festa de comemoração do 30º aniversário do vinho Fritzenwalden. É amanhã à noite."

Flor: "- O quê? Nós agora somos produtores de vinho é?"

"Eu conheço alguém que é produtor de azeite... Anda ali para os lados da Costa da Caparica...", disse Sof. pelo telefone.

Fred: "- Sim, Flor. Nós somos produtores de vinho. Não te lembras daquela vez que os pais do merceeiro... hmm... quer dizer, do Gabriel vieram cá jantar?"

Flor: "- Ah! Pois foi! Já nem me lembrava..."

Fred: "- Diz aqui que tenho que ir acompanhado da minha esposa para representarmos a minha mãe e o meu pai."

Flor: "- Ai a minha vida..."

Fred: "- Não, mas não te preocupes. Não é uma festa formal, só vão estar presentes familiares meus."

Flor: "- Oh... Fico muito mais descansada..."

 

 

 No dia seguinte, quando estavam prestes a entrar na festa, Frederico fez questão de alertar Flor sobre o que se iria passar  naquela noite.

Fred: "- Vão-te colocar no copo vários tipos de vinho. Tu provas e logo a seguir cospes."

Flor: "- Cuspo? Mas o que é isto? O XVII concurso das cuspidelas?"

Fred: "- Não, Flor... A tradição é mesmo assim. Tens de cuspir depois de provar..."

Flor: "- E são vários tipos de vinho? Tipo um rodízio de vinho?!"

Fred: "- É... É mais ou menos isso..."

Flor "- Mas eu nem estou habituada a beber!"

Fred: "- Flor, se cuspires acredita que não te acontece nada..."

 

Entraram na mansão de um primo de Frederico e rapidamente cumprimentaram todos.

Fred: "- Como está, primo? É a minha esposa, a Ana Flor Valente Rebello de Andrade Fritzenwalden. Flor, este é o meu primo Péliôsse. É o dono da casa."

Flor: "- Prazer. Caramba! É que o senhor é mesmo pele e osso! Não sabe comer, homem? É que isso faz-lhe mal!"

Péliôsse: "- Eu sou vegetariano..."

Frederico não queria acreditar que Flor tivesse dito aquilo...

 

 

Os dois afastaram-se e sentaram-se nos seus lugares, enquanto Péliôsse fazia o habitual discurso de abertura.

Péliôsse: "- Estamos hoje aqui reunidos..."

Flor: "- O quê? Quem é que se vai casar?!"

Fred: "- Ouve..."

Péliôsse: "- ... para celebrar o 30º aniversário do vinho Fritzenwalden. Há 30 anos atrás, estava eu a ter uma longa e interessante conversa com o Eric e com a Helena, que já agora aproveito para dizer que hoje são representados pelo seu filho e pela nora, Frederico e Ana.

Flor: "- Quem é essa Ana, Frederico Fritzenrations?!"

Fred: "-És tu... Eu disse-lhe o teu nome completo e ele utilizou o primeiro..."

Depois de Péliôsse terminar o discurso, começou a prova de vinhos.

Fred: "- Flor, não te esqueças de cuspir."

Flor: "- Eu não! Isto sabe tão mal que só dá vontade de cuspir mesmo! Agora percebo porque é que é tradição! Este rodízio não presta para nada!"

Todos se calaram e ficaram a olhar para Flor.

Flor: "- Pois... Bom, eu tenho de ir à casa-de-banho."

 

Flor levantou-se e antes de entrar na casa-de-banho, deu de caras com Ásquer. Estava com um rapaz ao lado.

Ásquer: "- Olá."

Flor: "-Olá."

Ásquer: "- Ainda não lhe apresentei o meu filho, pois não? É o Filipe João Carlos."

O filho não saía nada à mãe, pois não tinha aquele ar carrancudo. Antes pelo contrário, estava sempre a rir-se e foi bastante simpático com Flor.

Filipe: "- Olá! Não ligues ao nome, a minha mãe é obcecada por príncipes e reis espanhóis..."

Ásquer: "- Desgraçado! Só de pensar que quase deixei de fumar quando estava grávida de si... Porque é que não vai ali meter conversa com a filha do Péliôsse?"

Filipe: "- Foi um prazer conhecer-te! "

Flor: "- Igualmente..."

Ásquer: "- Finalmente sós... Eu sei que nós tivemos as nossas divergências no passado, mas estou disposta a mudar isso. Posso oferecer-lhe um sumo? Estamos tão rodeadas de vinho que é melhor variar um bocadinho."

Flor: "- Mas eu tenho que ir ali à..."

Ásquer: "- Isso agora não interessa..."

Ásquer empurrou Flor para o mini-bar e serviu-lhe meio copo de Whisky.

"Tem a certeza que isto é sumo?", disse Flor a cheirar a bebida.

Ásquer: "- Tenho. É daquelas bebidas para as crianças que têm cheiro a álcool só para enganar..."

Flor: "-Ah!"

À medida que Flor ia esvaziando o copo, o sorriso de Ásquer aumentava.

Já completamente tonta, Flor abraçou Ásquer.

Flor: "- A senhora sim... é uma senhora de verdade... mas não me atropele se faz favor... Eu faço tudo o que a senhora quiser..."

Ásquer: "-Era engraçado se dissesses isto..."

Ásquer murmurou qualquer coisa ao ouvido de Flor.

Flor: "- O quê?... Parece-me uma boa... Como é que se diz?"

Ásquer: "-Ideia."

Flor: "-Ideia, é isso... Dê-me aí uma ajudinha então."

Sem noção do que fazia, Flor começou aos berros e a gritar: "Atenção a todos... Tenho uma declaração muito importante para fazer..."

Frederico, que estava no outro lado da sala, ouviu e reconheceu a voz de Flor. Levantou-se e foi a correr ter com ela.

Quando finalmente a encontrou, a sua cara transformou-se.

 

 

Flor estava em cima do mini-bar e com um microfone na mão.

Flor: "-... eu preciso de um penico... porque estou aflitinha para fazer xixi..."

Frederico agarrou em Flor e encostou a sua mão que tinha o relógio à cara de Flor.

Flor: "- Shiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuu! Calem-se todos!"

Fez-se silêncio e Flor começou a dançar ainda com a mão de Frederico na cara.

Flor: "-É o tic tac!!"

Fred: "- Flor, vamos para casa. Anda!"

Flor: "- Sabes uma coisa, Frederico? Tu quando queres és um chato... Mas também és podre de bom... No meu mundo vives sempre tuuuuuuuuuuuuuuuu!

                              Dá-me uma luz, dá-me um sinal!"

Fred: "- Flor, já chega! Vamos!"

Flor: "- Não vou! Seu... Seu... Sultão das arábias! Sasichão enlatado! Chouriço da Índia! Toucinho do mar!"

Frederico agarrou em Flor e finalmente colocou-a dentro do carro.

Durante a viagem, Flor adormeceu durante algum tempo, mas acabou por acordar.

Flor: "- Frederico, tens a certeza... que os bebés ficaram com a... Melguinha?"

Fred: "-Sim, Flor. Ficaram com a Helga."

Flor: "- É que eu estou a vê-los lá fora a voar naqueles carrinhos dos supermercados..."

Fred: "- Vês? É por essas e por outras que deves cuspir o vinho..."

Flor dormiu durante o resto do caminho e Frederico teve que a levar ao colo até ao quarto.

 

No dia seguinte, Flor não se conseguia levantar. A cabeça pesava-lhe demasiado.

Flor: "-O que é que aconteceu?"

Fred: "- Estás bem? Tu ontem bebeste um bocadinho demais..."

Flor: "- Não me lembro de nada... Só me lembro da Ásquer ósa a dar-me uma bebida e a dizer para eu beber porque era um sumo qualquer..."

Ásquer: "- O quê? Foi ela?"

De repente, Helga entrou no quarto com um jornal na mão.

Helga: "- Não pódê sérr..."

Fred: "- O que é que se passa?"

Helga mostrou o jornal aos dois, que ficaram estupefactos com a imagem que era capa. Era uma imagem de Flor em cima do mini-bar e com o microfone na mão.

 

"Flor Fritzenwalden com problemas de incontinência

 

A esposa do jovem empresário Frederico Fritzenwalden revelou ontem, na festa de comemoração do 30º aniversário do vinho da família, ter problemas de incontinência e... com o álcool!

"Ela sempre foi assim. Sempre gostou muito de beber...", confirmou Ásquer Fritzenwalden ao nosso jornal. 

É a primeira vez que tal escândalo acontece na respeitada família alemã.

Passavam poucos minutos das onze da noite, quando Flor subiu para cima de um pequeno mini-bar e começou aos gritos, afirmando que necessitava de um penico.

"Poucos foram os minutos em que ela esteve sóbria...", revela Ásquer.

Algo que nunca aconteceu com a ex-noiva de Frederico, Delfina Rebello de Andrade.

Para além do seu comportamento, Flor revelou ser profundamente irresponsável e indigna de pertencer à família Fritzenwalden. Comportamentos assim não podem ser permitidos a pessoas que trabalham com crianças.

Depois dos acontecimentos da noite passada, todos aguardam ansiosamente pelo divórcio de Frederico e Flor."

 

Flor: "- Jornalistas de uma figa!! A culpa não foi minha!!"

Fred: "- Tem calma. Nós vamos resolver esta situação..."

 

Continua...

 

Beijinhos!



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Terça-feira, 1 de Julho de 2008
Episódio 49- Uma inauguração de outro Mundo...

Seis meses depois…

 
Era o grande dia! O infantário “O Mundo da Floribella” ia ser inaugurado.
Flor estava ansiosa, há seis meses que esperava por aquele momento.
Todos se prepararam para a inauguração e para ouvir os “Floribella” a cantar.
O local onde Flor iria trabalhar era simplesmente deslumbrante. Tinha as cores do arco-íris, tal como Flor desejara. No portão de entrada, estava uma fita vermelha e branca pronta a ser cortada. Apenas amigos próximos, familiares e toda a equipa que iria trabalhar no local estava presente quando Flor, juntamente com Frederico, cortou a fita com uma tesoura.
Era o concretizar de um sonho e Flor estava muito emocionada por se realizar no dia de anos da sua mãe.
Vários bonecos de personagens da Disney animavam a festa, como Buzzlightear de “Toy Story”, Simba, Raffiki, Timon e Pumba de “O Rei Leão”, Bela de “A Bela e o Monstro”, Ariel de “A Pequena Sereia” e Pocahontas.
 
Depois de todos desfrutarem das maravilhosas iguarias que haviam sido servidas, Flor subiu ao palco com a ajuda de Frederico. Estava já no último mês de gravidez, a sua barriga já estava enorme e, por isso, era-lhe difícil subir as escadas que davam acesso ao palco.
“Tem cuidado!”, disse Frederico agarrando-a o máximo que podia para que nada lhe acontecesse.
Flor: “- Ai, Frederico! Será que não há uma gravidez que eu passe sem ter que te dizer que eu estou grávida e não doente?”
 

 

 Fred: “- Eu só estou preocupado, Flor…”

“Eu sei, amor”, disse Flor rindo-se e passando-lhe a mão pela barba, gesto que tanto gostava de fazer. “Eu só te estou a tentar dizer que não é preciso ficares assim. Tu reages sempre como se eu não tivesse braços ou pernas…”, acrescentou docemente.
Fred: “- Porque não quero que nada te aconteça. Nem a ti, nem a ele…”, disse colocando as mãos sobre a barriga de Flor.
Flor respondeu colocando também as suas mãos sobre as de Frederico.
Flor: “- Mas também não é por pegar num prato ou numa chávena que vai acontecer um desastre, não é?”
Fred: “- Por acaso até é… 95% da loiça que se parte na mansão Fritzenwalden deve-se à senhora Flor… Mas eu gosto que ela seja assim… Trapalhona, linda…”
Flor: “- Não ligues Gonçalo. O papá gosta de se armar em esperto, de vez em quando… Mas diz-lhe que ele já devia saber que isso comigo não pega…”
Fred: “- Ah, Flor… Não digas isso nem a brincar… Da maneira como tu és, ainda convences a criança a falar…”, disse Frederico a brincar, mas Flor levou a sério:
Flor: “- É… E depois ele ainda engolia o líquido ambiótico, não é?”
Frederico ria-se com os lapsos da sua mulher. Já se conheciam há imenso tempo, mas todos os dias, Flor conseguia dizer algo que o surpreendesse.
Por fim, Flor subiu ao palco e fez um breve discurso acerca do infantário, que actividades se iriam realizar, as pessoas que a iriam ajudar…
No final do discurso, todos começaram a dançar. Flor olhou em volta à procura de Frederico, mas não o encontrou.
Foi ter com Dinis, interrompendo assim a sua dança com Ariel.
Flor: “- Dinis, desculpa interromper… Mas, por acaso, não viste o Frederico?”
Dinis: “- Não te preocupes, ele foi à casa de banho…”
 
Henrique dançava alegremente com Pocahontas. Sempre a adorara e desde pequeno que queria estar com ela e não era agora que ia perder essa oportunidade. Tudo bem que era uma mascote, mas era agradável à mesma.
Carlota é que não achou piada nenhuma, pois sabia que debaixo daquele fato estava uma mulher. Uma mulher que lhe podia roubar o namorado. Por isso, aproximou-se deles e afastou-os.
Carlota: “-Oh Cherry… Por favor, ela nem sequer usa sapatos…Anda, vamos ali falar com o Timon!”
Henrique: “- Oh Carlota, mas eu gosto mesmo é da Pocahontas…”
 
Flor estava à espera de Frederico quando Simba se aproximou dela e lhe sussurrou: “-És muito mais bonita que a Nala, sabias?”
Flor ficou admirada. Quem quer que estivesse debaixo daquele fato, era muito atrevido. Mas decidiu alinhar na brincadeira.
Flor: “- Olha Simba… Eu tinha-te em melhor conta, sabes? Sempre achei que eras um leãozinho simpático e respeitador… Isto não pode ser assim! Tens que ser fiel à Nala! É raro encontrar leoas como ela hoje em dia…”
Simba colocou as suas enormes patas à volta da cintura de Flor e puxou-a para si. “Já se está a esticar!”, pensou Flor e antes de o afastar, Simba encostou-lhe o enorme focinho à orelha e fez-lhe um pedido: “Canta para mim!”
Flor conheceu aquele tom de voz num instante e, com um enorme sorriso na cara, retirou a cabeça de Simba. Tal como já estava à espera, viu Frederico a sorrir, ao mesmo tempo que colocava o dedo indicador sobre os lábios, pedindo silêncio. Estava a pedir-lhe que não o desmascarasse. Flor acenou que sim com a cabeça e colocou novamente a cabeça de Simba sobre a de Frederico.

 

 

“Canta para mim”, repetiu ele.

Flor aproximou-se e começou a cantar ao enorme ouvido de Simba, enquanto lhe fazia festinhas na juba:
Flor: “- Esta noite o amor chegou
            Chegou para ficar…
            E tudo está… em harmonia e paz
            Romance está no ar…
 
Timon era o mais requisitado para dar autógrafos, pelo que Zé já estava a ficar cansada.
 
 
Foi aí que ouviu uma voz a chamá-la. Olhou para trás e viu Raffiki.
 
 
Aproximou-se dele e olharam para Flor e Simba. Já sabiam que era Frederico que estava mascarado de Simba, pois tinham-no visto a vestir o fato.
Raffiki: “- Que lindos…”
Timon: “- Não estás a chorar, estás Sof.?”
Raffiki: “- É claro que não… Só acho lindo ele mascarar-se de propósito só para lhe fazer uma surpresa…”
Timon: “- Final feliz escrito está…
                Como a situação…
Raffiki: “- Sua liberdade está quase no fim…
                Domado está…
Raffiki e Timon: “- … o leão!”
Sof. e Zé abraçaram-se a chorar e todos ficaram a olhar para os enormes bonecos de cada uma- Raffiki e Timon, respectivamente. Timon e Pumba eram os melhores amigos, mas aparentemente, Raffiki tinha destronado o lugar de Pumba.
Nos seis meses que tinham passado, Sof. e Zé tinham-se tornado grandes amigas de Flor e, por isso mesmo, foram convidadas para a festa e aceitaram vestir-se das famosas personagens.
 
Alguns minutos depois, os Floribella começaram a dar um mini-concerto, mas enquanto cantavam a música “Assim Será”, algo de inesperado aconteceu.
Flor: “- E nada nem ninguém vai separar…
            Um grande… AIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!”
 
Flor colocou as mãos sobre os joelhos e a sua cara transformou-se por completo.
Frederico levantou-se de imediato e foi a correr para o palco o mais depressa que as suas enormes patas de Simba permitiam... Tirou a cabeça gigante de leão para poder ver melhor.
Fred: “- O que foi?! O que é que se passa?! Flor?!”
Flor: “- O bebé…”
Flor tinha entrado em trabalho de parto.
Fred: “- Uma ambulância! Chamem uma ambulância!”
Afonso: “- Fred, vai demorar imenso tempo até cá chegarem…”
Fred: “- Afonso, isso não me interessa! Chamem uma ambulância!! RÁPIDO!”

 

 

 

Todos estavam preocupados com Flor e, por isso, apenas Dinis teve a calma de chamar a ambulância.
Tomás foi buscar Raffiki, pois tinha visto no filme que era ele que acalmava todos.
Tomás: “- Diz aquelas coisas que tu costumas dizer, para ver se ela se acalma!”
Sof. estava em pânico, não sabia o que havia de dizer, por isso, disse a primeira coisa de que se lembrou. Tentou usar o mesmo sotaque de Raffiki.
Sof.: “- Olhá p’rá lá do qui si vê…”
Flor olhou desesperada para o enorme macaco que via à sua frente, mas estava com demasiadas dores para responder…
Fred: “- Afastem-se todos! Dêem espaço, POR FAVOR!!”
Tomás continuava a insistir com Sof.
Tomás: “- Anda, não és tu o sábio?”
 
Fred: “- Tem calma, Flor. A ambulância já aí vem. Respira fundo.”
Flor: “- AHH!!! Só de me lembrar… da dor que tive… com os outros… AHH!!”
Raffiki: “- É… O pássádô pódê doer…”
Flor olhou para cima e viu novamente aquele macaco que já não podia ver à frente.
Fred: “- O passado pode doer, mas acredite que o presente vai doer muito mais se não se calar imediatamente!!”
Flor: “- Deixa, Frederico… Está a… ajudar a AHH! A descontrair… Continuem, por… favoraaaahh!”
Flor adorava “O Rei Leão” e, por isso, Sof. resolveu pedir ajuda…
Raffiki: “-Zé! Vem cá ajudar-me!”
Zé aproximou-se com o seu enorme fato de Timon e as duas começaram a cantar:
Os teus problemas são para esquecer…
P’ra sobreviver…
Tens de aprender…
Hakuna Matata!”
 
Fred: “- A ambulância está quase aí! Respira fundo! Tem calma!”
 
A ambulância foi rápida e 5 minutos depois, já estava no local. 
Já na maternidade, todos esperavam na sala de espera, enquanto Frederico acompanhava Flor no momento do nascimento do bebé.
Alguns minutos depois, todos viram Frederico a sair do quarto. Tinha o seu bebé ao colo e ainda estava vestido de Simba. A cabeça era a única parte que se via do seu corpo.
Assim que se aproximou da família, todos olharam para o bebé. Era tão pequenino e tão frágil que estavam com medo de lhe tocar.
Helga: “- Quê lindô…”
O bebé começou a chorar e Frederico regressou ao quarto em que Flor estava.
Fred: “- Tem calma, correu tudo bem.”
Flor: “- Que aventura… E só de pensar que ainda faltam 18…”
Fred: “- 18?!”
Flor: “- Não foste tu que disseste que querias 22?”
Fred: “- Por mim…”
Flor: “- Pois… Não és tu que os tens, não é?!”
Fred: “- Estava a brincar contigo…”
Flor: “- É… E temos de ter mais calma… Quer dizer, ainda noutro dia nos casámos e já temos quatro filhos! Imagina quando formos velhinhos! Temos de comprar uma Quinta no mínimo!”
Fred: “- É uma questão de planearmos bem as coisas… Mas, eu suponho que o teu futuro esteja repleto de crianças. Com o Infantário…”
Flor: “- O Infantário! Quem é que ficou lá a tomar conta de tudo?!”
Fred: “- A Zé e a Sof.”
Flor: “- Ainda bem… Eu só espero é que elas não se ponham para lá a acender fogueiras e a falar sobre nós…”
Fred: “- Ainda com essa história na cabeça?”
Flor: “- Frederico, explica-me como é que eu sonho com elas, antes de as conhecer e, quando as conheço, elas são exactamente como no meu sonho?”
Fred: “- Isso às vezes acontece…”
Flor: “- Pois… Eu também sonhei contigo antes de te conhecer…”
Fred: “- O que é que a menina Flor disse?”
Flor: “- Nada…”
Fred: “- Tu sonhaste comigo antes de me conheceres?”
Frederico estava radiante. Flor nunca lhe tinha contado sobre o famoso sonho.
Flor: “- Claro que não! Que tolice…”
Frederico não disse nada, limitou-se a olhar para Flor durante alguns segundos.
Flor: “- Pronto… Sim, eu sonhei contigo antes de te conhecer… Mas não fiques convencido, foi uma mera coincidência, tal como tu dizes… Porquê? Tu também sonhaste comigo?!”
Fred: “- No dia antes de voltar para Portugal, eu lembro-me de não ter dormido nada a noite inteira… A Delfina estava demasiado preocupada com o creme de beterraba dela… Mas é provável que tenha sonhado contigo... Já te esqueceste que tudo o que eu sonho se torna realidade?”
Flor: “- Eu sei… Por isso, vê lá se da próxima vez, não sonhas comigo a entrar em trabalho de parto a meio de um concerto!”
Fred (interrompendo-a): “- Tem calma. Não te esqueças que ainda estás fraca.”
Flor: “- Eu já estou tão habituada que já estou pronta para outro!”

 

 

Continua...

 

Beijinhos!

 



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Segunda-feira, 23 de Junho de 2008
Episódio 48- "Não podes mudar o tempo, mas o tempo muda-te a ti."

Já de manhã, Frederico acordou com os raios de sol a penetrarem pela janela. Acordou com uma sensação esquisita de que algo iria mudar. Algo o fazia pensar que aquele iria ser um dia diferente. Quando se virou para olhar para a sua noiva, ela não estava lá. Foi aí que viu à sua frente um dedo de alguém a andar de um lado para o outro, ao mesmo tempo que ouvia “Cucu!”

Fred: “- Delfina, porque é que te levantaste tão cedo?”
Delfina: “- Oh amor, então eu tive que ir pôr o meu creme de beterraba. Sabes perfeitamente que tenho de o pôr de seis em seis horas!”
Frederico levantou-se da cama e tentou ganhar forças para mais um dia aborrecido na sua vida.
Fred: “- Claro. Por momentos, esqueci-me de quem tu eras…”
Delfina: “- É bom que me peças desculpa, Frederico Fritzenwalden!”
Fred: “- Ah, Delfina! Por favor! Eu tenho demasiadas coisas com que me preocupar, lá me vou lembrar que o teu creme de beterraba tem que se pôr de seis em seis horas…”
Delfina: “- Para ti, tudo é mais importante do que eu, Frederico! Já reparaste?”
Fred: “- Delfina, os meus irmãos vão ficar sozinhos em Portugal… Queres que me preocupe mais com um creme de beterraba do que com eles?”
Delfina: “- E tu não achas que os paspalhos… quer dizer, que os teus maninhos já são crescidinhos o suficiente? E além disso, eles estão com a Helga e com o Antoine… E eu sou tua noiva, Frederico! Há quanto tempo é que nós não passeamos juntos? Há quanto tempo é que tu não me dizes que me amas? Tu já não gostas de mim, não é?”
Delfina fingiu que estava a chorar. Digamos que tinha jeito para fazer tudo, menos ser boa pessoa…
Fred: “- Delfina, eu só estou preocupado com eles, mais nada. Eu sei que não te tenho dado muita atenção, mas isso vai mudar.”
 
 
A campainha do apartamento tocou e Frederico foi abrir a porta. “Gutenmorguen, senhor Fritzenwalden”, disse Dinis.
Fred: “- Por aqui tão cedo?”
Dinis: “- Vim resgatar-te…”
Fred: “- Muito obrigado, Dinis. Mas no dia em que eu precisar de um príncipe encantado, eu aviso-te. E vieste resgatar-me de quê?”
Dinis: “- Das enormes garras da tua Delfininha…”
Fred: “- Dinis, por favor… Apesar de tudo, ela é minha noiva.”
Dinis: “- Vá lá, Fred! Sabes tão bem como eu que tu não gostas dela a sério …”
Fred: “- O que é que estás a dizer? Dinis, eu amo a Delfina. Eu não tenho dúvidas nenhumas que é ela a mulher da minha vida.”
Dinis: “- Tudo bem. Nós daqui a uns tempos falamos… Mas não te esqueças daquilo que acabaste de dizer. Então e o palito electrónico já se levantou?”
Fred: “- Sim, Dinis. A Delfina já se levantou…”
Delfina: “- Bom-dia, Dionísio.”
Dinis: “- Bom-dia, Delfínia.”
Fred: “- Mas vocês importam-se de parar com isso?”
Delfina: “- Ai, amor. O Dinis sabe perfeitamente que eu gosto muito dele. Muito ...”
Dinis: “- Eu também gosto muito de ti, Delfina.”
Escusado será dizer que os dois se detestavam.
 
Entretanto, em Portugal, Flor andava de bicicleta pela cidade de Gaia. Estava atrasada para o emprego, mais uma vez. Com a pressa, ia atropelando um gato e, ao desviar-se, foi contra dois caixotes do lixo.
Flor: “- Ai, acho que parti o cérebro…”
Alguns minutos depois, chegou à mercearia onde trabalhava e explicou tudo ao seu chefe, o senhor Patrício.
Flor: “- Desculpe, desculpe, desculpe! Mas é que eu demorei-me a tomar banho, porque houve uma inundação lá em casa. Veja só, a minha noz da sorte foi pelo ralo abaixo… E primeiro que saísse de lá? Depois com a pressa toda, ia atropelando um gatinho lindo e tive que me desviar, senão só íamos ver miolos de gato pelo chão! Depois eu desviei-me para não atropelar o pobre bichinho e fui contra uns caixotes do lixo! E não os pude meter no sítio onde estavam, senão ainda chegava mais tarde! E estou com uma dor na perna…”
Patrício: “- E achas que deslocaste alguma coisa?”
Flor: “- É claro que desloquei! Os caixotes andaram para aí uns cinco metros para a frente!”
Patrício: “- Eu estava a falar dos ossos. Achas que deslocaste algum?”
Flor: “- Ainda não vi nenhum a sangrar, por isso, acho que não! Estou desculpada?”
Patrício: “- Flor, tu sabes que eu gosto muito de ti, mas tu estás constantemente a chegar atrasada. Eu avisei-te que se não chegasses a horas mais alguma vez, ia ter de te despedir…”
Flor: “- Por favor, senhor Patrício, não faça isso. A minha vida é complicada! Eu não consigo gerir bem o tempo…”
Patrício: “- Lamento, Flor.”
 
 
Depois de condenar a sentença a Flor, Patrício afastou-se.
Flor foi a correr para a casa que pertencia à sua senhoria, a Dona Jarrete. Era francesa, mas desde muito cedo que tinha vindo viver para Portugal. Completava no próximo mês 78 anos. Jarrete estava sempre de mau humor e ninguém a suportava. Sempre que a contrariavam, começava a insultar tudo e todos sem se preocupar minimamente com os sentimentos das pessoas. Era velhinha, mas quando lhe dava para refilar, parecia que tinha vinte anos.
Dona Jarrete: “- Tira essas sapatilhas ridículas quando entrares em casa! Vais sujar os tapetes todos!”
Flor: “- Desculpe, dona Jarrete…”
Dona Jarrete: “- Desculpe nada! Estou farta de te dizer que essas sapatilhas pisaram o chão da rua, que cada vez mais está imunda e cheia de dejectos de pássaro…”
Flor: “- Eu diria mais de cão…”
Dona Jarrete: “- Em França não é assim… Nunca foi! E porque é que estás a chorar também? Se a vida te corre mal é por tua culpa, aviso-te já!”
Flor: “- Eu vou para o meu quarto…”
Dona Jarrete: “- Flor!”
Flor olhou novamente para Dona Jarrete, com a esperança de que, pela primeira vez na vida, ela a apoiasse e lhe desse algum conforto.
Flor: “- Sim?”
Dona Jarrete: “- TIRA AS SAPATILHAS!!”
Flor: “- Pronto, veja lá! Fica com uma nódoa microscópica no raio das carpetes! Olhe que também… Quem lhe deu o nome, podia ter-se dado ao trabalho de, em vez de pôr um “e” no fim, pôr um “a”!”
Dona Jarrete: “- Jarreta? Já chega! Fora daqui! Rua! Mal-criadona! És uma inútil! Não serves para nada! Não sei como te aturei tanto tempo! Rua! JÁ!”
Flor foi ao seu quarto, fez as malas e foi-se embora, não sem antes deitar a língua de fora e fazer a sua cara de zangada à sua ex-senhoria.
 
 
Completamente perdida e sem saber o que fazer, dirigiu-se a uma cabine telefónica e ligou a Tita, a sua tia adoptiva.
Flor: “- Estou? Tita? Tu nem sabes o que me aconteceu…”
Tita: “- O que é que foi, Florzita? Ai, filha o que é que te aconteceu?!”
Flor: “- Fui despedida e a Jarrete jarreta despejou-me! E agora, Tita? O que é que eu faço?”
Tita: “- Tem calma, filha! Sabes o que é que vais fazer? Oh rapariga, tu enfia-me esse rabo na camioneta para Lisboa que eu vou buscar-te quando chegares!”
Flor: “- Oh Tita não…”
Tita: “- A conversa acabou. Anda! O que é que ainda estás a fazer aí parada?”
Flor obedeceu a Tita e poucas horas depois, já estava na Travessa dos Beijos.
De repente, a sua vida começou a andar para a frente. Tinha conseguido arranjar emprego numa outra mercearia, já tinha um tecto para viver graças a uma vizinha de Tita e tinha conseguido arranjar o papel de vocalista na banda de Bata, filho de Tita e um dos seus melhores amigos.
Ia estrear-se a cantar naquela mesma noite, numa festa que ia ser realizada algures.
Flor: “-Agora sim, começo a ver luz ao fundo da ponte!”
 
Na Mansão Fritzenwalden, os irmãos de Frederico não paravam quietos. Helga tentava manter a ordem, mas não conseguia.
Helga: “- Mêninôs! Ácábou! Ácábou! Schnell!”
Desesperada, Helga ligou a Frederico.
Fred: “- Estou? Sim? Helga, o que é que se passa?”
Helga: “- Sênhôrr Frrédrricô! Mêninôs náo párram! O sênhôrr tem dê virr urrgéntémenté párrá cá!”
Fred: “- Helga, eu vou o mais rápido que puder!”
Delfina: “- Então o que é que a estú… a Helga queria?”
Fred: “- Delfina, faz as malas. Nós vamos regressar a Portugal.”
Delfina: “- O quê, Frederico??”
Fred: “- Delfina, faz as malas rápido. Eu depois explico-te.”
 
Assim que o seu noivo se afastou, Delfina telefonou a alguém. Marcou um encontro de despedida com o motorista alemão de Frederico, com quem tinha um caso há já quase dois anos. Delfina simplesmente adorava motoristas.
 
Eram quase oito horas da noite, quando os dois chegaram a Portugal. Entretanto, Antoine havia ligado a Frederico a dizer que Helga tinha tido um pequeno problema que a obrigara a ir ao hospital.
Os dois apanharam um táxi e Frederico tentou ligar para a Mansão, mas ninguém atendeu. Estavam todos demasiado ocupados com a festa da espuma.
Fred: “-Ninguém atende…”
Delfina: “- Tem calma, Frederico. Provavelmente foram todos para o hospital com a Helga…”
Fred: “- A falar nisso… Encoste aqui, se faz favor”, pediu Frederico ao taxista.
Delfina: “- Mas onde é que tu vais agora?!”
Fred: “- Delfina, vou comprar flores para a Helga… Porquê? Tens alguma coisa contra?”
 
 
Alguns minutos depois, o táxi entrou no jardim da Mansão. Com cuidado para não estragar as flores, Frederico saiu do táxi e ficou estupefacto quando viu a entrada de sua casa toda cheia de espuma e perfeitos desconhecidos a sair lá de dentro.
 
Flor era a única pessoa dentro de casa, tinha perdido novamente a sua noz da sorte e não se podia ir embora sem ela. Frederico abriu a porta e…
 
Martim: “-Flor! Fred! Contem lá o resto! Tenho que escrever tudo…”
Fred: “- Contem lá o resto o quê, Martim?”
Martim: “- Lembras-te? Tu estavas a descer as escadas com a Flor e com os bebés e eu pedi-vos para me contarem como é que eram as vossas vidas antes de se conhecerem?”
Flor: “- E nós não contámos?”
Martim: “- Contaram… Chegaram foi à parte da espuma e calaram-se os dois…”
Flor: “- Eu tinha acabado de encontrar a minha noz…”
Fred: “- …Eu resolvi abrir a porta…”
Flor: “- … quando vi a porta a abrir-se…”
Fred: “- … e vi a Flor. Estava cheia de espuma.”
Flor: “- … vi alguém com um ramo de flores lindo! Lembro-me de o ter visto e reparado que era igualzinho ao Príncipe do meu sonho. Naquele momento, eu soube que era ele o meu Príncipe!”
Frederico e Flor estavam sentados no sofá com os bebés ao colo, quando Frederico virou a cara para Flor.
Fred: “- E tu, quem és?”
Flor ficou calada. Tinha percebido o que Frederico queria dizer com aquilo.
Fred: “- Ainda não respondeste… Quem és tu?”
Martim: “- Ah… Foi isso que vocês disseram quando se viram pela primeira vez?”
Nenhum dos dois lhe respondeu. Estavam demasiado ocupados a olhar um para o outro, ao mesmo tempo que sonhavam acordados.
Martim: “- Flor! Fred! Olá!”
Os dois estremeceram com o susto, estavam completamente a leste.
Flor: “- O que foi?”
Martim: “- Obrigado. Com isto, acho que já posso adiantar trabalho…”
Martim subiu para o quarto e Flor e Frederico permaneceram na sala a brincar com os filhos.
Fred: “- A minha vida era um caos antes de tu apareceres…
 
 
Flor: “- A minha também… Só de pensar naquela jarreta… Mas deixa lá! O que importa é que agora tudo isso não passam de más recordações…”
 
Continua…
 
Ps: Agradeço à Isa pelas fotos! Ao contrário do que estava previsto, não irei terminar a história no episódio 50. Irei prolongá-la mais um pouco.
 
Beijinhos!


publicado por Inesita às 10:25
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Domingo, 15 de Junho de 2008
Episódio 47- "Uma ideia de crianças..."

Henrique apercebeu-se que tinha sido demasiado bruto com Carlota e foi atrás dela para lhe pedir desculpa.

Depois dos ânimos acalmarem na Mansão, Flor puxou Frederico para a biblioteca:
Fred: “- Está tudo bem?”
Flor: “- Está. Não te preocupes.”
Fred: “- Porque é que te estás a rir?”
Flor: “- É que eu tive uma ideia e acho que tu vais gostar! Pelo menos espero que gostes…”
Fred: “- O quê? Para a ideia vir da minha Florzinha é porque só pode ser boa…”
Flor: “- Frederico, tu sabes que eu não sou mulher de estar quieta…”
Fred: “- Sim…”
Flor: “- … e que não faz bem o meu género ficar parada em casa a tratar dos filhos e das limas domésticas…”
Fred: “- Lidas domésticas…”
Flor: “- Foi o que eu disse! Mas continuando… Eu não acho justo que tu trabalhes e eu fique em casa sem fazer nada, por isso, pensei que… uma vez que tu estás a pensar não fazer nada com o terreno do Visconde… e uma vez que é aqui pertinho… eu pensei…”
Fred: “- Tu pensaste… Diz!”
Flor fechou os olhos e começou a pentear a sobrancelha direita, como sempre fazia quando estava prestes a dizer algo importante.
Flor: “-Eu pensei… Eu pensei construir um Infantário para eu trabalhar lá!”
Fred: “- Mas isso é…”
Flor (interrompendo-o): “- Vá lá, amor! É importante para mim! Já viste?! Ia estar a fazer alguma coisa útil e ainda por cima a fazer uma coisa que eu gosto!”
Fred: “- Mas isso é… absolutamente genial. Como é que não nos lembrámos disso antes?”
Flor: “-Yes! É ri-fixe, não é?”
Fred: “- Eu disse que vinda de ti, a ideia só podia ser uma ideia ri-fixe… Agora é uma questão de arranjar um arquitecto e avançar com o projecto.”
Flor: “-Ai, Frederico! Até parece que já estou a imaginar! ‘Mundo da Floribella- traga o seu filho e deixe-se encantar!’ E como é que arranjamos um arquitecto?”
Fred: “- Eu e o Dinis conhecemos imensos arquitectos, é uma questão de escolher um competente. E… eu estava disposto a fazer um negócio com a menina Flor…”
Flor: “- Ai… Tu sabes que eu não percebo nada de negócios!”
Fred: “- Pois, mas destes acho que até percebes bastante…”
Flor: “- O quê?”
Fred: “- Eu estou disposto a arranjar ainda hoje um arquitecto se…”
Flor: “- Se o quê? O que é que tu me vais pedir para fazer, Frederico Fritzenrations?”
Fred: “- Eu estou disposto a arranjar ainda hoje um arquitecto se a minha Flor me der um sorriso lindo, daqueles que só ela é que sabe fazer.”
Flor não só cumpriu a sua parte do negócio, como também fez questão de beijar Frederico.
 
 
Flor: “- Tu és tão fofinho…”
Fred: “- A propósito, tu nunca mais me chamaste Príncipe…”
Flor: “- Pois não… Já não és Príncipe…”
Frederico não disse nada, limitou-se a olhar para Flor com ar de quem não tinha percebido o que ela queria dizer.
Flor: “- Tu já não és Príncipe, porque já foste promovido a Rei há muito tempo!”
 
Já de tarde, Frederico e Dinis escolheram um arquitecto e foram ver o terreno, juntamente com Flor.
Flor: “- Aqui podia ficar o sítio para eles brincarem e aqui a casa-de-banho! Não, aqui ficava a cozinha! Quer dizer, se calhar os quartos ficavam melhor aqui! Não, a salinha para eles brincarem! Este era o sítio ideal! O que é que achas, Frederico?!”
Flor estava completamente eufórica com a ideia de vir a ser a dona de um infantário.
Flor: “- Frederico, quanto tempo vai demorar até tudo estar pronto?!”
Fred: “- Ainda vai demorar um bocadinho, Flor. Estas coisas têm que ser construídas com calma, para que tudo fique bem feito. Provavelmente uns oito meses ou mais, não sei…”
Flor: “- Oito meses??”
Fred: “- Tem calma. Vai ser rápido, vais ver. Estás mesmo ansiosa, não estás?”
Flor: “- É o realizar de um sonho, Frederico! Eu mal posso esperar! Quero que o infantário tenha as cores do arco-íris! E temos que contratar mais alguém! Sozinha não vou conseguir tratar de tudo! Ai, eu estou tão feliz!”
 
 
Entretanto, na Travessa dos Beijos, Henrique viu Carlota com outro rapaz e surpreendeu-se a si próprio ao ficar com ciúmes. O que ele não sabia era que Carlota estava a fazer tudo de propósito para o provocar.
“Não pode ser! Eu não posso gostar da Carlota…”, pensou Henrique. Era mau demais para ser verdade. Completamente confuso, caminhou de volta para casa e encontrou Afonso. Estava com um sorriso de orelha a orelha, via-se que estava felicíssimo.
Henrique: “- O que é que te aconteceu?”
Afonso: “- Tu nem imaginas… Descobri que não sou um Fritzenwalden para poder viver um romance proibido com uma prima nossa!”
Henrique: “- O quê??”
Afonso: “- Achas mesmo que eu estou a falar a sério? Para além de não fazer sentido nenhum, não cabe na cabeça de ninguém…”
Henrique: “- Na da Crismo Rena até era possível… Mas conta lá!”
Afonso: “- Eu hoje fui treinar e encontrei uma rapariga linda! Ela é linda!”
Henrique: “- Fico feliz por ti, mano. Pena é que nem todos tenham a tua sorte…”
Afonso: “- Então? O que é que aconteceu? Continuas farto da Carlota?”
Henrique: “- É precisamente por causa dela que eu estou assim… Hoje fui pedir-lhe desculpas e vi-a a atirar-se a outro rapaz e fiquei cheio de ciúmes… Achas normal? Afonso, eu passo o dia inteiro a esconder-me dela e quando a vejo com outro, fico com ciúmes...”
Afonso: “- Sinceramente, eu acho que é normal. Por vezes, só damos valor às coisas que temos quando as perdemos. E tu sempre gostaste da Carlota. Não gostas é que ela te ande a melgar durante o dia inteiro…”
Henrique: “- E o que é que eu faço?”
Afonso: “- Fala com ela. Diz-lhe aquilo que sentes e explica-lhe que não gostas que ela ande a controlar-te durante as vinte e quatro horas que um dia tem."
 
Já em casa, Afonso anunciou a toda a família que estava apaixonado e que tinha uma nova namorada.
Fred: "- Fico muito contente por ti. E como é que ela se chama?"
 
 
Afonso: "- Flor!"
Fred: "- Flor?"
Afonso: "- Não é nada! Estava a gozar contigo... Chama-se Daniela. Vocês têm de a conhecer! Ela é fantástica!"
Fred: "- Convida-a para vir cá jantar um dia destes. Bom e já que estamos numa de contar novidades... Não tens nada para contar, Flor?"
Tomás: "- Deixem-me adivinhar. Depois de ter este bebé, a Flor vai ficar grávida outra vez!"
Flor: "- Não, não é nada disso. E logo, já não há gomas para ti, só por causa disso!"
Tomás: "-Oh! Vá lá, Flor! Eu só estava a brincar..."
Flor: "- E quem é que te disse que eu também não estava a brincar?"
Flor contou a grande novidade a todos e todos adoraram a ideia, como não podia deixar de ser.
Flor: "- Vou já começar a pôr anúncios nos jornais: 'Educadora de infância procura-se! Recompensa: oferta de emprego!'"
 
Já tinham passado duas semanas e Flor ainda não tinha conseguido arranjar ajudantes para o infantário. Já tinha colocado anúncios nos jornais e pelas nas ruas, mas nunca ninguém aparecera.
Quando todos estavam na sala, alguém tocou à campainha. Flor abriu a porta e viu duas mulheres que se apressaram a fazer perguntas: "- Boa tarde, é aqui que mora a Flor Valente Fritzenwalden?"
Flor conhecia aquelas caras de algum lado, mas não as conseguia associar a nada, por isso, limitou-se a responder: "Sou eu mesma!"
"-Nós lemos num jornal que anda à procura de pessoas para trabalhar num infantário e estávamos interessadas no cargo.", disse uma.
Flor: "-Uau! Fantástico! Entrem! Muito prazer! Eu sou a Flor! E muito obrigada por terem vindo! Estava a ver que ninguém estava interessado!"
"- Eu sou a Zé e ela é a Sofia, mas podem tratá-la por Sof." disse Zé.
Flor: "- Desculpa, mas disseste Zé? E Sof.?"
Zé: "-Sim..."
 
Em surdina, Frederico perguntou algo a Flor.
Fred: "- O que é que se passa?"
Flor: "- Eu sabia que as conhecia de algum lado! São as do meu sonho! As que vieram acampar! Vais ver, já só falta a outra doida da história na Internet vir para aqui!"
Sof: "- Nós lemos o anúncio e gostávamos de trabalhar no infantário. Há alguma possibilidade?"
Flor: "- Claro! É só fazer algumas perguntas e pronto! Mas sentem-se! Eu vou só buscar papel e caneta!"
Fred: "- Deixa estar. Eu vou lá. Uma mulher grávida não deve fazer esforços."
Flor atirou um beijo a Frederico e Sof. e Zé começaram a rir-se.
Zé: "- É menino ou menina?", perguntou para disfarçar.
Flor: "- Menino!"
Sof: "- Parabéns!"
Flor: "- Obrigada."
Fred: "-Aqui tens."
Flor: "- Posso começar? Com que frequência costumam acampar?"
Sof: "-Depende..."
Zé: "- Muito raramente..."
Flor: "- Consideram-se pessoas românticas?"
Zé: "- Sim..."
Sof.: "- Depende..."
Flor: "- Pertencem a algum grupo ou instituição?"
Zé: "- Não..."
Sof.: "- Depende..."
Flor: "- Têm enlatados em casa?"
Sof.: "- Depende..."
Zé: "- Sim."
Flor: "- E colchões insufláveis?"
Zé: "- Não."
Sof.: "- Depende..."
Flor: "- Se tivessem que escrever um guião, escreveriam apenas cenas de amor?"
Zé: "- Não sei..."
Sof.: "- Depende..."
Flor: "- É verdade que vêem tudo à lupa?"
Zé: "- As coisas que nos interessam sim..."
Sof.: "- Eu só não percebo uma coisa... O que é que todas estas perguntas têm a ver com o facto de sabermos lidar com crianças?"
Flor: "- Nada, nada... É só para saber algumas curiosidades! E, só assim por acaso, vocês não têm nenhuma amiga chamada Inês, pois não?"
Sof.: "- Por acaso, até temos..."
Zé: "- Mas estava demasiado ocupada a escrever uma história na Internet..."
Flor: "- Eu não te disse, Frederico? Elas existem mesmo!!"
Fred: "- Tem calma. Quem é que seria maluco ao ponto de perder o seu tempo a escrever uma história nossa na Internet? Há imensas pessoas que escrevem histórias... Não têm que ser necessariamente sobre nós... Tem calma."
 
Ps: Demorei algum tempo a postar, porque surgiram alguns problemas que eu não esperava e não tive tempo de avisar, pelo que peço desculpa. A partir de hoje, irei postar com mais frequência.
 
Beijinhos!
 
 


publicado por Inesita às 10:28
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Sábado, 17 de Maio de 2008
Episódio 46- "Ice Tia"...

Ainda no quarto, Flor e Fred falavam do bebé que vinha a caminho:

Flor: “-Amanhã é o grande dia.”
Fred: “- Pois é! A Carlota vai-se embora!”
Flor: “- Eu estava a falar do nosso tchinkywinky… Achas que vai ser menino ou menina?”
Fred: “- Não sei… Mas deixa-me dormir para ver se sonho com isso…”
Flor: “- Então vê lá com o que é que sonhas!”
Fred: “- Alguma vez nos aconteceu alguma coisa de mal?”
Flor: “- Não… Só andámos um ano inteirinho a aturar as tramóias das bruxas, mas de resto não aconteceu nada de mal!”
Fred: “- Eu fico com tanto medo quando tu fazes esses olhos maus… Tanto medo!”
 

 

 

No dia seguinte, depois de todos se levantarem e tomarem o pequeno-almoço, o telefone tocou e Helga apressou-se a atendê-lo: “-Alô? Mánsáo dê família Frritzenwalden. Ah! Cômô êstá, frraulain Ásquerr?”

O rosto de Helga transformara-se num rosto de pleno horror, assim que se apercebera com quem estava a falar. Todos conseguiam ouvir uma voz histérica a berrar que nem uma louca. Apesar de parecer que estava a ser alvo de uma penosa tortura, Helga arranjou forças e continuou a conversa: “Ya voll. Serrá entrregué…”
Antes que Helga terminasse, a pessoa que estava do outro lado, desligou abruptamente o telefone assim que o seu recado foi entregue.
Fred: “- Ásquer? Helga, era a nossa tia Ásquer?”
Helga: “- Mien got!”
Fred: “- O que aconteceu?!”
Helga: “- Ela está a cáminhô dê cá! Chêgá dentrró dê cincó minutôs! E diz quê quér os seus lençóis dê pélê dê crrócódilô!”
Fred: “- A minha tia Ásquer está cá?”
Flor: “- Ásquer? Os Fritzenrations são a família mais criativa a dar nomes a bebés! É Otto, é Ásquer… Mas quem é essa Ásquer afinal de contas?”
Maria: “-Só para teres uma pequena ideia, era a melhor amiga da Delfina…”
Flor: “- Ui… Mais bruxas não!”
Afonso: “- Como é que ela tem coragem de vir cá depois de tudo o que fez?”
Flor: “- O que é que ela fez?!”
Fred: “- Eu depois conto-te…”
Helga: “-É élá! Está á chêgárr!”
Flor: “- Vá, Frederico conta lá antes que ela chegue!”
Fred: “- Esta minha tia tem 32 anos e o meu tio tinha 60… Há quatro anos atrás, o meu tio morreu e dois dias a seguir à sua morte, a minha tia ficou com toda a herança…”
Flor: “- E daí?”
Fred: “- E daí que todos suspeitam que foi a minha tia que o matou.”
Flor: “ –Mas porquê?”
Fred: “- No dia em que o meu tio morreu, a Ásquer ia a conduzir e disse que o pneu estava furado. O meu tio saiu do carro para verificar o pneu e no dia a seguir foi encontrado morto. Tinha sido atropelado…”
Flor: “- Então, foi mesmo ela! E vocês não fizeram nada?”

 

 

Fred: “- Ela com todo o dinheiro da herança, consegue escapar sempre… E nós também não temos provas… Mas, ninguém fala deste assunto.”

Flor: “- Ok. Boca calada, não entra mosca!”
A campainha tocou. Helga aproximou-se da porta bem devagar, não queria mesmo nada rever a tia Ásquer, mas tinha de a deixar entrar. Do outro lado, já se ouvia uma voz esganiçada a protestar: “-Mas ninguém abre?! Despachem-se! O meu chiwawa está em tratamento de beleza!! Não pode apanhar sol!! Mas será que ninguém ouve?!!”
Helga abriu a porta e assim que entrou, Ásquer atirou o seu enorme casaco de peles para cima dela. Flor estava estupefacta. Era o único membro da família que nunca tinha visto aquela autêntica personagem. Ásquer tinha o cabelo ruivo e um rosto pálido. Trazia umas botas que lhe chegavam até meio das pernas que estavam vestidas com umas calças justas laranja e a sua camisola era verde choque.
Flor: "-Olhem! A minha arvorezinha começou a dar cenouras!" 
Ásquer olhou para Flor e ignorou o que ela tinha dito. Limitou-se a dizer: “-Peço desculpa pela demora, mas o trânsito estava de morrer…”
Flor: “- Eu percebi essa! Trânsito… morrer… pneus…”
Ásquer olhou de alto a baixo para Flor, ao mesmo tempo que esboçava um sorriso cínico. Olhava-a com um misto de superioridade e repugnância. Mas Flor já estava habituada… O olhar de Ásquer não era muito distinto do de Magda e Delfina e, por isso mesmo, Flor recordou-se de todos os maus momentos protagonizados pelas duas na Mansão.
Fred: “- Algum problema, tia?”
Ásquer: “- Fre-de-ri-co, foi esta a mulherzinha pela qual tu deixaste a Delfina?”
Fred: “- Não, tia… Não é mulherzinha… É mulherão.”
Ásquer: “- Que pena… Sempre te vi como um rapaz de bom gosto… E não como um íman para atrair a plebe…”
Fred: “- Tia, eu lembro-lhe que está em minha casa e eu não ia querer ter de tomar medidas drásticas. Mas se for necessário, não terei qualquer problema em fazê-lo, por isso, eu espero que respeite todos e cada um durante a estadia nesta casa.”

 

 

Ásquer: “-Estás diferente… Deve ser das companhias… Helga! Prepare-me um banho quente na banheira de hidromassagem, leve-me um sumo de alperce ao quarto e depois ponha uns rolos à Mimi! E tente despachar-se, porque eu não tenho a sua vida!”

Helga: “-Mimi? Quem é Mimi?”
Ásquer: “- A minha chiwawa, estúpida!”
Fred: “- Tia, eu não queria ter de repetir o discurso de há pouco…”
Ásquer: “- Fre-de-ri-co, lembra-te que se eu não estiver por perto nos próximos tempos, tu não fechas negócio com o Carlo Visconde. Por isso, eu se fosse a ti, não dizia mais nada…”
Flor: “- A sério? Nesse caso, precisa de ajuda, dona Ásquer… ósa?!”
Ásquer: “- Estás na minha lista negra. Helga, despache-se!”
Ásquer subiu as escadas da Mansão, deixando todos boquiabertos. Nada a que não estivessem habituados, diga-se!
Flor: “- Mas que negócio é esse?”
Fred: “- É um negócio que o meu pai deixou pendente, porque entretanto, aconteceu o que aconteceu… De qualquer das formas, eu prometi a mim mesmo que o ia fechar, porque era o que o meu pai queria. O Visconde é dono de uns terrenos aqui em Lisboa e a minha tia é uma amiga íntima há já muito tempo. Só ela o poderá convencer a fechar negócio connosco…”
Flor: “- E quanto tempo é que ela vai ficar por cá?”
Fred: “- Não sei. Ela avisou que vinha para cá cinco minutos antes de chegar…”
De repente, ásquer voltou para trás e, do cimo das escadas, lembrou Frederico:
Ásquer: “-Fre-de-ri-co, o Visconde acabou de me ligar. Disse para estarmos lá na Corunha às 17H00. Regressamos depois de amanhã. Prepara as malas, rápido! Não estou para estar à espera!”
 
Frederico foi preparar a roupa que vestiria nos próximos dois dias e, quando ele e Ásquer já estavam despachados, despediram-se de todos. Ásquer limitou-se a dizer um “Adeus” num tom seco e rígido, enquanto Frederico prometia a todos regressar em breve.
Flor: “-Prometo que esperarei por ti, meu Príncipe, o tempo que for preciso!”
Fred: “- São dois dias…”
Flor: “-Nesse caso, não prometo nada…”, disse Flor a brincar. Frederico beijou-a foi-se embora.

 

 

Dois dias depois, Frederico estava de volta. Flor foi buscá-lo ao aeroporto e os dois mataram saudades um do outro. Depois teriam de ir ao consultório do Dr. Amaral para saber se o bebé era menino ou menina.

Flor: “- E então, como correu?”
Fred: “-O terreno é nosso!”
Flor: “- Não acredito… A Ásquer Ósa conseguiu convencer o Visconde?!”
Fred: “- Parece que sim. Ainda bem que consegui concretizar um dos desejos do meu pai…”

 

 

Flor: “- E o que é que vais fazer com o terreno?”

Fred: “- Nada…”
Flor: “- Nada? Então, compras o terreno e não o aproveitas?”
Fred: “- Não sei… Tenho de pensar bem nisso… Vamos? Estou desejoso de saber se o bebé vai andar com saias coloridas ou com barba e gravata!”
 
Chegados ao consultório, o doutor fez a radiografia a Flor. No ecrã preto, Flor e Frederico conseguiam ver perfeitamente a criança. Como já tinha acontecido com Diogo, Margarida e Luciana, os dois começaram a chorar.
Fred: “-E então, doutor?”
Doutor: “-É um menino!”
 
Ao chegarem a casa, Flor, Fred e a restante família tentaram chegar a um acordo que definisse o nome que iria ter o bebé.
Afonso: “- Se querem que ele cresça saudável, já sabem que nome ele vai ter que ter…”
Martim: “- Cabe apenas aos pais decidirem o nome do seu rebento. É um princípio básico da vida.”
Carlota: “- Henrique Carloto era perfeito!”
Henrique: “- Carlota, tu não achas que te estás a meter demais?”
Carlota: “- Não sei porquê… Eu já sou da família! Mais cedo ou mais tarde, vais pedir-me em casamento…”
Fred: “- Tenham todos calma… Eu e a Flor já decidimos o nome que vamos dar ao bebé.”
Flor: “- Gonçalo Maria! Gostam?”

 

 

Afonso: “- Estás a gozar, não estás?”

Fred: “- Não, Afonso. Nós achamos bonito…”
Tomás: “- Coitado… Ainda bem que eu sou teu irmão e não teu filho!”
Flor: “- Eu também gosto!”
Depois de uma longa discussão, o nome ficou decidido. O bebé ia mesmo chamar-se Gonçalo.
Entretanto, Carlota continuava a insistir com Henrique:
Carlota: “- E tu Cherry? Já pensaste no nome do nosso futuro filho?!”
Henrique: “- Mas que filho, Carlota? Tu és uma chata, uma sanguessuga! Ninguém quer ter filhos teus! Acorda para a vida!”
Com as lágrimas nos olhos, Carlota pediu desculpa a Henrique e foi-se embora.
Flor: “- Henrique! Tudo bem que ela não é muito certa da cabeça, mas também podias ter evitado falar assim, não é?”   
Henrique: “- Eu já não a estava a conseguir suportar mais, Flor!”
Fred: “- Eu suponho que lhe vás pedir desculpa.”

 

Continua...

 

Ps: Obrigado à Isa pelas fotos!

 

Beijinhos!



publicado por Inesita às 12:37
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